Para aproveitar o boom de projetos do setor de engenharia e construção sem ter de ampliar ou replicar a estrutura em cada obra, a Andrade Gutierrez lança mão de recursos como inteligência artificial, maquetes eletrônicas, óculos digitais acoplados aos capacetes e digitalização.
Para ir além, está planejando a incorporação de uma consultoria do mercado que traga ainda mais inovação.
A companhia, que atua em projetos de energias renováveis, transmissão e distribuição de energia, óleo e gás, mineração, termelétricas e hidrogênio verde, foi a primeira colocada em seu setor, além de ficar em décimo lugar no ranking geral.
Os ganhos de tempo, a redução de falhas e o cumprimento de prazos compensam todos o recursos investidos em inovação, segundo João Martins, CEO da Consag, empresa do grupo Andrade Gutierrez voltada ao mercado privado do setor.
“As falhas de execução foram reduzidas bruscamente”, diz ele.
“Reduzimos perdas, melhoramos a qualidade e conseguimos cumprir o prazo do cliente com maior assertividade.”
Segundo Martins, o setor privado tem visto muitos projetos saírem da gaveta, seja por conta de concessões de rodovias, do leilão de energia feito em março, do crescimento do setor de mineração ou dos novos projetos na área de óleo e gás.
Os valores projetados de investimento em energia para suprir o crescimento de data centers e inteligência artificial também fogem a qualquer previsão feita anteriormente.
“Estamos falando de trilhões de dólares”, diz Martins.
Nesse cenário, os projetos de inovação ajudam a companhia a se manter competitiva e atrair mais negócios sem ter de multiplicar a estrutura.
Hoje, o braço da Andrade Gutierrez para o mercado privado do setor de engenharia e construção reserva cerca de 5% de seu orçamento para os projetos de inovação.
O número cresce a cada ano, segundo Martins.
A empresa não revela os números absolutos.
Para estimular a busca por melhorias em toda a companhia, foi criado o Prêmio Soberano — nome do primeiro trator da empresa em 1948.
Todos os funcionários podem sugerir ideias, mas somente são premiadas aquelas que são implantadas, têm seus benefícios comprovados e permitem a replicação em outros contratos da empresa.
“O prêmio já faz parte da cultura, já virou tradição entre os funcionários, que postam em suas redes sociais”, diz o CEO.
No ano passado, a Andrade Gutierrez assinou contrato para a retomada das obras de uma refinaria brasileira e decidiu usar uma ferramenta de inspeção que envolve óculos digitais acoplados ao capacete.
O “inspetor alpinista” vai ao alto da torre para inspecionar a obra com os óculos.
"Conseguimos reduzir em mais de 40% o tempo de inspeção com esse recurso.
Esse foi um dos vencedores do Prêmio Soberano”, conta Martins.
João Martins, CEO da Consag: “As falhas de execução foram reduzidas bruscamente”
Luiz Fernando Mendes/Divulgação
A segurança dos colaboradores é um dos itens que se beneficia do uso de tecnologia.
A Andrade Gutierrez foi contratada para implantar as usinas GNA I e GNA II no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ).
Juntas, elas formam o complexo termoelétrico a gás natural que é considerado o maior da América Latina, com capacidade instalada de 3 GW.
Nesse projeto, a empresa alcançou o índice de 35 milhões de horas trabalhadas sem acidentes de qualquer tipo com afastamento.
Um dos motivos é o processo digital, segundo o executivo.
Antes de começar uma atividade, o encarregado se senta com sua equipe e olha tudo o que vai ser feito de forma digital antes de ir a campo, o que melhora o planejamento e a prevenção de acidentes.
As maquetes eletrônicas da empresa também ganharam robustez.
Hoje incluem dados como planejamento da obra, suprimento e gestão de materiais.
“Em obras complexas, conseguimos ter as informações de forma clara, revisadas pelo cliente e pelos projetistas, por conta da digitalização”, afirma Martins.
O processo de inovação passou por uma correção de rota.
“Estávamos muito na linha do ganho de produtividade individual até dezembro do ano passado”, diz Martins.
Naquele momento, teve início a utilização dos agentes de IA, que auxiliam nas finanças, na área jurídica, e não só no dia a dia operacional.
Com a chegada da inteligência artificial, a área específica de engenharia digital passou a ser usada para centralizar todos os planos relacionados a essa tecnologia.
A empresa contratou pessoal, foi buscar ferramentas, consultorias.
Os ganhos de produtividade passaram a ser de todo o departamento e da companhia.
A Andrade Gutierrez tem uma aceleradora de startups, a Vetor AG Ventures.
Uma dessas startups realiza a interface de todos os programas periféricos para facilitar a gestão da obra.
Hoje, praticamente todos os dados estão digitalizados, mas alguns deles estão dispersos.
A ideia é usar ferramentas que permitam um tratamento mais centralizado.
A companhia prepara uma novidade para breve: há planos para incorporar uma grande consultoria, cujo nome ainda não pode ser revelado, para trazer elementos aplicados em outras indústrias usando a IA.
“O objetivo final é criar um certo nivelamento no estado da arte da inovação.”
A opção de inovação na empresa já está decidida e enraizada como uma questão de ganho de produtividade, competitividade e excelência operacional, de acordo com o executivo.
“A decisão de investir em inovação não é afetada por questões de taxas de juros ou problemas geopolíticos.
E a gente tem conseguido crescer ao longo desses anos exatamente porque optou por esse caminho.”
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