O avanço da inteligência artificial está provocando uma mudança na dinâmica competitiva do mercado de tecnologia para educação corporativa.
Durante anos, fornecedores do setor concentraram sua atuação na oferta de plataformas para armazenar cursos, administrar usuários, emitir certificados e acompanhar treinamentos.
Com a popularização da IA generativa, a disputa passa a envolver também a capacidade de criar conteúdos, personalizar jornadas e transformar dados em decisões.
A estimativa de valor econômico envolvido ajuda a explicar a velocidade dos investimentos.
Estudo da McKinsey calcula que a inteligência artificial generativa pode adicionar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões por ano à economia global, considerando 63 casos de uso analisados pela consultoria.
É nesse mercado que a Inspand Educação Corporativa inicia uma nova etapa de sua estratégia.
A empresa estruturou o INLab, núcleo próprio de inteligência artificial criado para desenvolver produtos voltados à aprendizagem, produção de conteúdo e desenvolvimento de competências.
A Inspand informa operar uma das maiores bases de aprendizagem corporativa desenvolvidas no Brasil, com mais de 7 milhões de usuários, mais de 300 empresas atendidas e mais de 50 milhões de certificações emitidas ao longo de sua trajetória.
Segundo Cristiano Franco, CEO da companhia, o investimento no INLab representa uma transição de posicionamento.
"A plataforma de aprendizagem continua sendo fundamental, mas já não é suficiente.
As empresas precisam de inteligência para criar conteúdos, atualizar conhecimentos e desenvolver pessoas na velocidade exigida pelo negócio", afirma.
Novas frentes de receita de olho no mercado de franquias
Em seus primeiros quatro meses, o núcleo desenvolveu soluções como o Sales Roleplay, voltado ao treinamento de equipes comerciais por meio de simulações com inteligência artificial.
Na plataforma, os vendedores podem praticar reuniões, apresentações e negociações em diferentes cenários.
A inteligência avalia a abordagem adotada e fornece informações que podem ser utilizadas nos processos de treinamento e desenvolvimento.
Outra frente é o crIAr, plataforma de criação, curadoria e edição de conteúdo com IA.
A solução foi concebida para atender empresas que precisam produzir conteúdos para treinamento, comunicação, marketing e desenvolvimento de pessoas, mas enfrentam limitações de equipe, orçamento ou tempo.
Segundo a Inspand, a plataforma se diferencia das ferramentas generalistas porque sua inteligência foi desenvolvida para aplicar metodologias de educação corporativa durante a construção dos materiais.
"O diferencial não está somente no modelo de inteligência artificial.
Está no conhecimento utilizado para orientar a criação", diz Cristiano Franco.
O movimento acompanha uma tendência mais ampla de revisão das competências profissionais.
O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das habilidades centrais dos trabalhadores deverão mudar até 2030.
Entre as competências de crescimento mais acelerado estão IA e big data, alfabetização tecnológica, pensamento criativo, resiliência, flexibilidade e aprendizagem contínua.
Estratégia de expansão
A Inspand pretende usar o INLab para ampliar sua participação nos mercados de conteúdo corporativo, treinamento comercial, desenvolvimento de pessoas e automação de aprendizagem.
A companhia também está em fase de abertura de parcerias para ampliação ainda maior de mercado e busca oportunidades internacionais, especialmente em países nos quais empresas enfrentam os mesmos desafios de produção, atualização e distribuição de conhecimento.
O plano é transformar a experiência acumulada em educação corporativa em produtos digitais escaláveis, reduzindo a dependência de projetos totalmente personalizados.
A mudança também pode alterar a estrutura econômica do negócio.
Plataformas de inteligência artificial permitem que uma solução desenvolvida no Brasil seja distribuída para diferentes países sem a necessidade de replicar toda a estrutura operacional.
Para Cristiano Franco, a consolidação do setor não será definida apenas pelo tamanho das bases de usuários.
"A próxima geração da educação corporativa será definida pela capacidade de transformar conhecimento em desempenho.
A tecnologia será o meio, mas o valor estará na inteligência aplicada ao negócio", afirma.
Inspand investe em núcleo próprio de IA para ampliar participação no mercado de soluções corporativas
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