A Polícia Federal avalia pedir a inclusão do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na chamada difusão prateada da Interpol.
A ferramenta da polícia internacional é recente, criada em 2025 e em fase piloto, e voltada ao rastreamento internacional de bens e ativos.
A 'Difusão Prateada" é parte do conjunto de novidades lançada em 2025 num programa piloto que envolve 52 países e territórios, em que as autoridades estrangeiras poderão localizar ativos vinculados aos investigados e, conforme a legislação de cada país, comunicar sua existência às autoridades brasileiras ou até adotar medidas para bloqueá-los.
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A ferramenta funciona de forma semelhante à difusão vermelha da Interpol — utilizada para localizar pessoas procuradas pela Justiça —, mas tem como objetivo facilitar a identificação de patrimônio e valores mantidos em outros países.
O alerta é emitido aos países que fazem parte da rede internacional de polícias e tem o objetivo de encontrar o bem para apreender.
O mecanismo foi utilizado pela primeira vez no início do ano passado contra um mafioso italiano e viabiliza a cooperação internacional na identificação de bens.
Os bens podem incluir propriedades, veículos, contas financeiras e empresas, que podem ser usados de base para solicitações bilaterais de apreensão, confisco ou recuperação, seguindo as leis de cada país ou federação.
A possibilidade passou a ser analisada após a abertura do inquérito motivado pelo áudio, revelado pelo site The Intercept Brasil, em que Flávio Bolsonaro cobra de o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, recursos destinados ao filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro .
Os investigadores trabalham com a hipótese, já mencionada por pessoas próximas ao senador, de que os recursos foram integralmente enviados ao exterior e podem ter sido desviados de sua finalidade.
O repasse seria de R$ 61 milhões.
Procurada, a defesa de Flávio não respondeu.
Quando foram divulgadas as informações sobre o financiamento do filme, o senador negou que os recursos tenham sido destinados ao irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos EUA.
Em nota, o parlamentar afirmou que se trata de "falsa a insinuação" e sustentou que "os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos".
Segundo integrantes da investigação, ainda não há pedido formal para incluir Flávio na lista da Interpol.
A medida é considerada uma alternativa caso os instrumentos tradicionais de cooperação jurídica internacional não sejam suficientes para rastrear os valores.
