O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, levantou o sigilo do inquérito da Polícia Federal na Operação Sem Refino 2.
As investigações apontam que o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, obteve vantagens diretas em um esquema de lavagem de dinheiro da Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos.
O documento mostra indícios de proximidade do político com o empresário Ricardo Magro, dono do grupo econômico e hoje considerado foragido.
A perícia no celular de Castro, apreendido em maio, recuperou conversas diretas entre os dois.
Logo após uma viagem do ex-governador a Nova York, onde se encontrou com o empresário, Ricardo Magro mandou uma mensagem agradecendo a presença do político.
Castro respondeu:
"Ricardo, eu que te agradeço.
Aqui você tem um amigo, saiba disso."
As mensagens contradizem a versão do ex-governador, que na época da operação negou qualquer envolvimento com Magro.
Dados extraídos pela PF mostram também que Castro e secretários estaduais mantinham canais diretos de comunicação para acelerar licenças ambientais e perseguir empresas concorrentes.
Tudo para favorecer os interesses da Refit.
Em outra conversa com um advogado ligado à refinaria, ao ser procurado para viabilizar a regularização fiscal do grupo, Cláudio Castro respondeu que a reunião seria possível e reforçou: "Eu toco por aqui", indicando atuação pessoal no assunto.
Nas apurações sobre lavagem de dinheiro, a Polícia Federal constatou que o ex-governador seria o proprietário de fato de um imóvel em Petrópolis, na Região Serrana, registrado em nome de terceiros.
A propriedade contou inclusive com o projeto de uma adega personalizada avaliada em 245 mil reais.
Os relatórios mostram ainda o pagamento de R$ 10,5 mil em caviar por meio da empresa de um terceiro ligado à Refit.
Segundo o documento, Castro encomendou o produto durante uma viagem a São Paulo e evitou deixar rastros do pagamento.
Para a PF, o episódio reforça os indícios de lavagem de dinheiro com o uso de laranjas para quitar despesas cotidianas incompatíveis com os rendimentos lícitos do ex-governador.
Vale lembrar que a Justiça do Rio decretou nesta semana a falência da Refit e determinou o bloqueio das contas e dos bens das empresas do grupo.
Em nota, a defesa do ex-governador Cláudio Castro informou que:
nega qualquer participação em esquema de lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento a terceiros.
O imóvel onde reside tem contrato regular de locação, com pagamentos comprováveis.
O imóvel utilizado em Petrópolis também era alugado e o contrato já foi encerrado.
Sobre a compra mencionada, o episódio ocorreu mais de 30 dias após Cláudio Castro deixar o Governo do Estado.
A encomenda havia sido feita por um amigo e ele apenas retirou os produtos em São Paulo para entregá-los, tendo consumido um deles com autorização do comprador.
Não há qualquer ligação entre os episódios envolvendo a compra e os imóveis com a Refit.
São situações distintas, sem relação com a empresa ou com eventual favorecimento.
Os contatos com representantes da Refit foram institucionais e não resultaram em qualquer benefício.
Durante sua gestão, o Estado adotou medidas para cobrar valores devidos pela empresa.
Também não é verdade que uma viagem do então governador a Nova York tenha sido custeada pela Refit.
A viagem foi oficial, paga pelo Governo do Estado, com registros disponíveis no Portal da Transparência.
A defesa já requereu ao ministro Alexandre de Moraes que Cláudio Castro seja ouvido pela Polícia Federal para esclarecer todos os pontos da investigação e apresentar a documentação comprobatória.
O pedido aguarda decisão.
Cláudio Castro reafirma que não praticou qualquer ato ilícito.
