O Irã pretende defender seu território, mas não quer continuar ou expandir a guerra com os Estados Unidos.
A afirmação foi feita pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian nesta terça-feira (4) em uma entrevista na TV estatal.
O presidente iraniano relacionou a segurança nacional à coesão interna, argumentando que a resolução das divisões internas poderia ajudar a prevenir a interferência estrangeira.
'O conflito, seja em um bairro, uma cidade, um país ou entre países, é uma doença que surgiu.
Defenderemos nossas fronteiras, mas não buscamos expandir a guerra nem prolongar', disse ele.
Pezeshkian afirmou ainda que não renunciará ao cargo e prometeu permanecer na função, segundo uma prévia de uma entrevista que será exibida na TV estatal.
'Estamos totalmente coordenados com as forças militares.
Não vou renunciar e vou manter minha posição.
Se eu renunciar, anunciarei formalmente minha renúncia', comentou.
Suas declarações se seguiam às declarações de Mohammad-Bagher Kharrazi, um clérigo de alto escalão cuja irmã é casada com o irmão do Líder Supremo Mujahidin Khamenei.
Ele disse que Pezeshkian ameaçou renunciar '28 vezes', mas desistiu após ser avisado de que sua próxima renúncia seria aceita.
Em maio, a imprensa iraniana noticiou que Pezeshkian havia entregado uma carta de demissão ao gabinete de Khamenei, alegando que seu governo havia sido excluído de decisões importantes e que os linha-dura haviam assumido o controle do país.
O Irã negou qualquer demissão na época.
Trump insiste em negociações com Irã, mas Teerã nega qualquer diálogo
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Divulgação/Casa Branca
Menos de 24 horas depois de expressar otimismo de que um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz estava próximo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar o regime iraniano, lançando dúvidas sobre a capacidade de fechar um acordo significativo para pôr fim à guerra, mas garantiu que as conversas com o regime dos aiatolás seguem.
Nesta segunda-feira (3), respondendo a jornalistas na Casa Branca, Trump disse que seu governo enfrenta um “desafio de comunicação”, porque há negociações, mas também existe uma resistência por parte dos iranianos em admitir formalmente essas conversas:
“No momento, nós estamos conversando, atendendo a uma solicitação iraniana e apoiada pela Arábia Saudita, pelos Emirados Árabes Unidos, pelo Catar, e diversos parceiros regionais com os quais mantemos relações cordiais.
Todos esses líderes solicitaram que oferecêssemos ao Irã uma última oportunidade.
É a última chance, e isso não é algo que acontece sempre”, afirmou.
Mais cedo, na rede Truth Social, Trump escreveu que as lideranças iranianas são “inacreditavelmente dissimuladas” ao negarem que há uma negociação em curso.
A mensagem de Trump escancara, novamente, a instabilidade das negociações de paz no conflito no Oriente Médio.
O presidente norte-americano parecia confiante de que as conversas trariam resultados.
A bordo do Air Force One, ele afirmou para repórteres que um acordo sobre o Estreito de Ormuz já estava fechado e que, em breve, firmaria também um acordo sobre o programa nuclear do Irã.
Ele sugeriu, ainda, que essas negociações começariam na tarde desta segunda-feira (3).
Ataque dos Estados Unidos contra o Irã.
Reprodução
O Irã negou prontamente estar negociando com os Estados Unidos, e afirmou estar em conversas com Omã para estabelecer uma rota segura e "temporária" para embarcações através do Estreito de Ormuz.
Trump fez alusão a essas alegações na postagem, dizendo que o Irã estava oferecendo "a conversa fiada de sempre" ao dizer que o Estreito de Ormuz será operado por eles, quando, segundo o republicano, já é completamente controlado pela Marinha dos Estados Unidos.
Trump acrescentou ainda que o bloqueio americano aos portos iranianos vai continuar "a menos que um acordo, ou rendição total, seja alcançado".
A negociação ocorre após o presidente Donald Trump confirmar a suspensão temporária de ataques aéreos de grande escala contra alvos militares iranianos.
Em declarações na Casa Branca e redes sociais, o presidente afirmou ter concedido uma última oportunidade à via diplomática a pedido de mediadores e autoridades do Oriente Médio.
O republicano alegou que o governo iraniano solicitou a pausa nas ações militares, mas alertou que responderá com força inédita caso as conversas fracassem ou ocorram novos ataques na região.
Já o governo do Irã negou categoricamente ter pedido qualquer trégua ou cancelamento de bombardeios.
Por meio de comunicados oficiais e da imprensa estatal, Teerã classificou as falas de Trump como distorção dos fatos e propaganda interna.
O regime dos aiatolás avisou que mantém as forças armadas em alerta máximo e condiciona o avanço das conversas ao fim das sanções econômicas.
Segundo um jornal árabe, os Estados Unidos estariam dispostos a ceder em relação ao controle iraniano da rota sul de Ormuz.
O Irã, contudo, rejeitou a proposta e continua se recusando a abrir totalmente o Estreito até o fim da guerra.
EUA lançam nova série de ataques aéreos contra o Irã
ABBAS FAKIH / AFP
