O conselho diretor da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) acaba de aprovar uma mudança na presidência-executiva da entidade.
Em reunião no início da noite desta segunda-feira (31), o colegiado aprovou a indicação de Leandro Vilain para substituir Isaac Sidney.
Vilain é o atual presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que reúne bancos pequenos e médios e fintechs.
A mudança será efetivada após período de transição que irá até o fim de outubro, passadas as eleições presidenciais no Brasil.
A Febraban afirmou, em comunicado, que a alteração se dá em meio a uma “transição institucional harmoniosa e planejada”, conduzida junto com Sidney, que formalizou o pedido para deixar o cargo.
“A mudança na liderança executiva reflete uma decisão alinhada há mais de um ano”, disse a entidade na nota.
De acordo com a Febraban, Sidney sinalizou em março do ano passado ao então presidente do conselho diretor, Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, que planejava sair depois de dois mandatos como presidente – o que aconteceria em março deste ano.
Porém, 2025 foi um ano conturbado, com a crise do Banco Master e a consequente necessidade de reabastecer o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e a mudança acabou não acontecendo naquele momento.
Em março deste ano, Trabuco deixou o conselho e Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, foi eleito em chapa única para assumir o colegiado.
Àquela altura, Sidney disse a interlocutores ouvidos pelo Valor que ficaria até o fim deste ano, depois do período eleitoral.
Sidney assumiu a presidência da Febraban em março de 2020, auge da pandemia de covid-19, quando participou de negociações intensas sobre linhas de crédito emergenciais para conter os efeitos da crise.
No total, passou mais de sete anos em cargos diretivos na Febraban, onde entrou primeiro como vice-presidente.
Em sua gestão, a Febraban passou por um processo de modernização e maior abertura, que a levou a se comunicar mais com a sociedade.
Houve também uma maior aproximação entre a Febraban e outras associações do setor.
Antes disso, Sidney foi procurador-geral e diretor do Banco Central.
Quando deixou a autarquia, passou alguns meses no Warde Advogados, onde implementou a área de direito bancário.
Vêm desse breve período os momentos mais polêmicos da carreira de Sidney.
No Warde, ele advogou para o Banco Máxima, atuando na assessoria jurídica do pedido de compra da instituição financeira, que mais tarde seria renomeada de Master, por Daniel Vorcaro.
Em julho, o Valor revelou que Sidney tomou um financiamento imobiliário de R$ 5,5 milhões junto ao Master em 2020, quando já presidia a Febraban.
Ele apresentou à reportagem o termo de quitação do empréstimo.
O episódio causou mal-estar no setor e na própria Febraban, e levou a especulações de que haveria mudanças no comando da entidade.
De qualquer forma, as conversas para substituição de Sidney já vinham em curso desde antes.
Vilain, o novo presidente, trabalhou durante nove anos na diretoria da Febraban e também foi sócio da consultoria Oliver Wyman antes de ir para a ABBC.
Em sua trajetória, o executivo atuou em uma série de temas de inovação no setor, como o Pix e o open finance.
“Sua trajetória e, em especial, sua recente atuação no comando da ABBC são bem aderentes e guardam pertinência temática com a agenda conduzida pela Febraban”, afirmou a entidade.
No comunicado, a Febraban agradeceu a “relevante gestão de Isaac Sidney”.
“Seu mandato foi marcado pelo fortalecimento da imagem do setor bancário, pela ampliação e consolidação da visibilidade institucional e estatura da entidade, além de sua atuação incansável e consistente na condução de temas estratégicos e críticos para a indústria financeira, atuando sempre no melhor interesse do país”, afirmou.
Isaac Sidney deixa a presidência-executiva da Febraban
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