Israel acusou a Turquia de promover “aventuras perigosas na Síria” nesta quinta-feira.
Ancara, por sua vez, pediu o fim de ataques israelenses que classificou como “imprudentes”, dois dias depois de Israel ter bombardeado uma base aérea síria onde, segundo o país, tropas turcas estavam prestes a se posicionar.
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O ataque trouxe à tona as tensões entre as duas potências regionais em relação à Síria.
Embora faça fronteira com ambos os países, a influência de Ancara sobre o Estado árabe como aliada do presidente Ahmed al-Sharaa tem causado alarme em Israel desde que ele derrubou Bashar Assad em 2024.
Israel afirmou que Damasco estava prestes a permitir que tropas turcas se posicionassem na base aérea de Abu al-Duhur e havia ignorado as advertências israelenses de que tal posicionamento representaria uma ameaça à segurança de Israel.
A alegação foi negada pela Turquia.
O ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al-Shaibani, em declarações ao site Axios na quarta-feira, disse ter deixado claro a Israel que não havia planos de estabelecer uma base militar turca em Abu al-Duhur.
Ele acrescentou que oficiais militares turcos haviam visitado a base no noroeste da Síria vários dias antes do ataque, mas ressaltou que isso fazia parte da “cooperação militar em andamento nas áreas de treinamento e intercâmbio de conhecimentos”.
O Ministério da Defesa turco afirmou na quinta-feira que nenhuma delegação militar turca estava presente na base antes ou durante o ataque, e que a Turquia continuaria a apoiar os esforços da Síria para desenvolver sua própria capacidade militar e infraestrutura.
“É essencial para a paz e a estabilidade tanto da Síria quanto da região que Israel cesse tais ataques imprudentes e cumpra as exigências do direito internacional”, afirmou a pasta da Defesa turca.
Base de Abu al-Duhur, na Síria, em 18 de agosto de 2026
REUTERS/Stringer/Foto de arquivo
Fontes informaram à Reuters na quarta-feira que a questão do envio de tropas turcas à Síria foi discutida em uma rara ligação telefônica entre Shaibani e o chefe da agência de espionagem israelense Mossad, Roman Gofman, em 14 de agosto, dias antes do ataque.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, em uma postagem no X, advertiu o presidente turco, Tayyip Erdogan, contra “arrastar a Turquia para aventuras perigosas na Síria” e “testar a determinação de Israel em se defender”.
A Turquia, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que compartilha uma fronteira de 900 km com a Síria, foi um dos principais atores na guerra civil de 13 anos, apoiando rebeldes anti-Assad e enviando tropas à Síria várias vezes para conter grupos curdos que considerava uma ameaça à segurança nacional.
Para Israel, as preocupações com a influência iraniana quando Assad estava no poder foram substituídas pela apreensão quanto ao papel da Turquia desde que ele foi derrubado por rebeldes liderados por Sharaa, um ex-comandante da Al-Qaeda que desenvolveu laços estreitos com os Estados Unidos.
