Cartunista, chargista, caricaturista, ilustrador e jornalista, J.
Bosco lança um novo trabalho autoral nesta quinta-feira (20).
"O Diabo Tem as Costas Largas – Cartuns Infernais", sétimo livro de sua trajetória, reafirma uma marca de sua obra: a criação de projetos temáticos, consolidados após anos de pesquisa e amadurecimento.
“O livro é um projeto de dois anos de pesquisas, usando o diabo como a grande desculpa das mazelas e as falsidades humanas; tudo que a humanidade se presta a fazer como maldade, sempre procura jogar nas costas largas do pobre diabo.
A pegada do livro é essa.
Humor pra refletir, e servir como um espelho pra gente se ver e pensar”, explica J.
Bosco.
Para esta nova obra o protagonista é o Diabo, justamente a figura que, no imaginário popular, costuma levar a culpa por todos os males.
Contudo, a proposta do livro inverte essa lógica: em vez de tratar o mal como uma força sobrenatural, Bosco demonstra como ele surge das próprias decisões e atitudes humanas.
“O título do livro foi uma das coisas mais importantes que pensei, levei meses pra estudar o nome do livro, e consegui.
Depois comecei a selecionar os cartuns sem balões, apenas o desenho falando com suas mensagens com humor pra dentro, aquele riso pra reflexão.
Os meus livros são todos temáticos, e com uma pitada polêmica.
Esse do diabo, você vai ver guerra, inveja, corrupção, sexo, mentira, gula, acordo de paz fracassado, racismo, poluição, desmatamento, dar a crítica e trazer pro leitor as reflexões de forma lúdica e ‘engraçada’”, acrescenta.
J.
Bosco lança "O Diabo Tem as Costas Largas" (J.
Bosco)
Com 62 páginas coloridas e dezenas de cartuns inéditos, a obra aborda temas como preconceito, racismo, corrupção, violência, devastação ambiental, guerras e intolerância.
Em todas as pautas, o autor utiliza o humor como um convite à reflexão crítica sobre as relações humanas.
A ideia acompanha o artista há anos.
Embora alguns dos cartuns sobre o tema já tivessem sido premiados em salões de humor nacionais e internacionais, Bosco percebeu a ausência de uma publicação dedicada exclusivamente a esse universo.
"Todos os meus livros têm um tema.
Esse era um projeto antigo.
Não encontrei nenhum livro formado apenas por cartuns sobre o diabo.
Resolvi então desenvolver essa ideia, num processo que levou aproximadamente dois anos", conta.
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O prefácio da obra é assinado pelo cronista carioca Carlos Eduardo Novaes, romancista com passagens pela TV Globo e autor de sucessos do teatro, como o clássico monólogo Confissões de um Espermatozoide Careca.
A apresentação fica a cargo da jornalista paraense Regina Alves, ex-editora do jornal O Liberal.
O livro conta com o apoio do Grupo O Liberal, da TV Liberal e do Centro Cultural Banco da Amazônia.
Além do lançamento do livro, J.
Bosco assina a curadoria da exposição "Futebol – Exposição Nacional de Humor do Banco da Amazônia", em cartaz no Centro Cultural Banco da Amazônia, com produção do Mapuá Estúdio.
Idealizada por ele e pelo artista e produtor cultural Leonardo Dressant, a mostra reúne 69 obras de 23 artistas de diferentes regiões do país, entre cartuns, charges, caricaturas e desenhos, tendo o futebol como tema central.
A iniciativa busca ampliar o alcance da linguagem artística regional e consolidar sua relevância dentro do cenário cultural contemporâneo.
A exposição também presta homenagem ao cartunista paraense Biratan Porto, um dos grandes nomes do humor gráfico amazônico.
“O humor gráfico coloca o dedo nas feridas; críticas construtivas e humor debochado servem de alerta para se construir algo melhor, por isso ele continua perigoso”, explica J.
Bosco.
Com entrada gratuita e um período de visitação que vai até 13 de setembro, a mostra oferece uma perspectiva crítica e contemporânea sobre o futebol, abordando-o não apenas como esporte, mas como um fenômeno cultural central no cotidiano brasileiro.
Na região amazônica, essa temática ganha força ao conectar afetos, memórias e identidades coletivas por meio do traço humorístico.
Natural do Pará, J.
Bosco figura entre os principais nomes do humor gráfico brasileiro.
Jornalista de formação, o artista assina charges e cartuns diários na imprensa paraense há mais de quatro décadas, colecionando centenas de participações e prêmios em salões nacionais e internacionais.
Sua obra abrange cartuns, caricaturas e ilustrações com olhar crítico sobre política e comportamento, destacando-se pela síntese visual, humor inteligente e temas atuais.
Bosco também atribui a formação de sua identidade artística à influência de grandes mestres do humor gráfico brasileiro, entre eles Ziraldo, Angeli, Laerte, Jaguar, Edgar Vasques e o cartunista paraense Biratan Porto.
“Esses mestres têm humor maduro, inteligente e reflexivo de trabalhos comportamentais, coisa que deixa os cartuns mais atraentes.
O livro é fruto de amadurecimento”, finaliza.
Agende-se
Data: quinta-feira, 20
Hora: 18h30 às 20h30
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia (CCBA) – Av.
Presidente Vargas, 800, Campina, Belém (PA)
