A primeira-dama Janja da Silva repudiou o que considerou ter sido um ataque "pessoal e depreciativo" do candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, contra ela durante o primeiro debate presidencial de 2026.
No domingo, na Band, o ativista do Movimento Brasil Livre (MBL) insinuou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria alcoolista por não suportar a convivência doméstica com a mulher.
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Em nota, Janja pontuou que o ataque de Renan foi dirigido a uma mulher que sequer é candidata nas eleições e que não estava presente no debate para se defender.
"Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de pena está longe de ser uma crítica política", disse ela, para quem a fala do presidenciável não pode ser normalizada.
Durante a transmissão do encontro, ao qual Lula, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) faltaram, Renan chamou o candidato petista à reeleição de "coitado" por "ter que ficar" com Janja.
— Era mais fácil ter vindo no debate, ele ia ter companhias melhores — disse o fundador do MBL, que mais adiante retomou o ataque.
— Ou [Lula] está bêbado ou está com a Janja.
Melhor ficar bêbado nessas horas, né, presidente?
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Na nota, Janja vinculou ao concorrente ao Planalto um histórico de "declarações de violência contra as mulheres" e um "padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres".
"É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher, como ferramenta misógina para atacar um adversário político", afirmou.
"Nós, mulheres, sabemos o quanto precisamos lutar para sermos ouvidas sem sermos interrompidas, desqualificadas ou atacadas.
Por isso, faz-se tão necessário repreender imediatamente atos como esses, que depreciam nossas existências".
Renan Santos (Missão) no debate da Band no último domingo (23)
Maria Isabel Oliveira/ O GLOBO
Em entrevista à Record TV exibida ao mesmo tempo em que a Band exibia o debate entre Renan, Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD), Lula criticou candidatos à Presidência que tentam "lacrar na internet" para chegar ao Palácio do Planalto.
Sem citar nomes, Lula disse que ser presidente da República é "coisa séria" e que o nível dos adversários caiu muito, em comparação com antigos opositores como José Serra e Fernando Henrique Cardoso.
Na nota, Janja reiterou a crítica.
"Debate político é, ou deveria ser, um lugar para apresentar propostas, confrontar ideias e discutir projetos para o nosso país.
Não é lugar para expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é", disse.
Depois da crítica de Janja, Renan Santos negou ataque pessoal e disse ter feito uma crítica política.
"Não é misógino dizer que você não é uma boa companhia.
Pare de ficar jogando tudo nessa história de misoginia.
Fazer uma crítica política a uma figura pública ser misoginia significa criminalizar todo o debate político que envolva mulheres", disse.
Janja repudia fala 'depreciativa' de Renan Santos em debate e aponta 'caráter misógino' do candidato do Missão
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