Já temos um candidato ao hit da eleição deste ano: em ritmo de forró, viralizou nas redes sociais um jingle de campanha em que um tal Osmarzinho e sua família são alvos de acusações nada agradáveis.
A canção, no entanto, caiu nas graças dos internautas Brasil a fora.
Então, euzinha dei meus pulos (ou melhor, meus voos) para descobrir que não se trata de IA.
A música circulou nas ruas da pequena Cocal dos Alves, cidade de 6,3 mil habitantes no Piauí, no pleito de dez anos atrás.
Agora, diante da situação viral, Osmarzinho conseguiu na Justiça uma decisão para derrubar as postagens com o tal jingle.
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Antes de tudo, meus caros leitores, preciso afirmar que o Osmarzinho existe.
Trata-se de Osmar de Sousa Vieira, comerciante de 57 anos que foi prefeito da cidade piauiense entre 2017 e 2024, pelo PT, e que atualmente sequer está concorrendo.
Sua família, no entanto, segue firme na política.
O sobrinho, Wodson Vieira, eleito pelo mesmo partido em 2024, é o atual prefeito de Cocal dos Alves, enquanto o irmão de Osmarzinho, Rubens Vieira, concorre à reeleição como deputado estadual no Piauí, também pelo PT.
Rubens Vieira e Wodson Vieira, irmão e sobrinho de Osmar Vieira
Divulgação / Divulgacand
Tentei falar com o próprio Osmarzinho, nos embalos do hit, mas me contaram que ele estava na estrada ontem.
E quem falou com a Ema Jurema nesse caso? Foi uma integrante daquela campanha do Osmarzinho (isso serviria até como verso do jingle, né?).
Essa fonte (olha como estou importante) me explicou que a música nasceu em 2016, quando Osmar concorria à prefeitura contra o candidato Ivan, do PDT.
— Na época, foi muito trumático.
Hoje em dia é engraçado, é uma música chiclete, mas só para quem não sabe da história — revelou a fonte, que admite também ter dado risadas ao ver a proporção que o jingle recuperado tomou.
Na ocasião, carros de som (conhecidos como "paredões") foram usados para propagar a música contra Osmarzinho e a família.
O assunto, claro, deu o que falar (tanto em 2016, como agora) na cidade que se emancipou de Cocal em 1997.
Naquele pleito, Osmar venceu o adversário por uma diferença de 151 votos (51,73% dos votos, contra 48,27%), o que, segundo a integrante de sua campanha, se deu graças à determinação de uma retratação na ocasião.
— A oposição teve que rodar nas mesmas localidades (da cidade) com uma resposta, onde se dizia que aquelas informações eram mentirosas e caluniosas.
Teve até um dos carros que rodou com o motorista todo envergonhado, com volume bem baixo.
Aí gravaram e o juiz determinou que rodasse de novo, mas em volume máximo — lembra minha fonte.
Foto usada por Osmar Vieira, o Osmarzinho, na urna em 2016
Divulgação / Divulgacand
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'Fofoca de político'
Euzinha não me contive e precisei perguntar ainda a essa pessoa próxima a Osmar sobre as acusações da canção, como o atropelamento de uma pessoa próximo a um povoado; a menção a desvios na Educação; até a citação de um roubo ao pai — o agricultor Valdemar Vieira, citado na canção como Valdemarzinho — em referência à venda de castanhas (produto comercializado pelo armazém que Valdemar tinha há anos atrás).
— Quando jovem, realmente o Osmar se envolveu num acidente em que uma criança faleceu, mas foi acidental e ele prestou socorro — reconhece a fonte, que diz que o jingle tinha a proposta de carimbar Osmar como um forasteiro, já que havia se mudado para a cidade próximo àquele pleito.
— O jingle mistura tudo, para atribuir problemas à família do Osmar.
A música cita ainda que ele ficou sem pagar um tio, que roubou o pai para compar castanhas: ninguém sabe de onde tiraram isso.
É fofoca de político, um queimando o outro.
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Justiça manda derrubar postagens e áudio
Agora, Osmarzinho e seus advogados conseguiram na Justiça uma decisão para derrubar as postagens com o jingle.
A juíza Elvanice Pereira de Sousa Frota Gomes, da 4ª Vara Cível da Comarca de Teresina, dá 24 horas — a partir da intimação — para que Meta e Facebook (responsáveis pelo Instagram) e a Bytedance Brasil (TikTok) tornem indisponíveis conteúdos que veiculam o tal jingle.
Também é determinado que seja impedida a reutilização do áudio com o jingle.
Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 5 mil.
Procurada, a Meta informa que "não vai se manifestar sobre o caso".
Até a última atualização da coluna, euzinha não havia obtido retorno do TikTok, tampouco havia conseguido contatar Ivan.
