No alto do Morro de Santo Antônio, no Largo da Carioca, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência guarda tesouros do barroco brasileiro que ainda são desconhecidos por muitos cariocas e visitantes do Rio de Janeiro.
Conhecida como Igreja do Ouro, a construção, que integra o conjunto do convento existente desde 1620, funcionará também aos sábados no circuito turístico do Rio, como antecipou a coluna de Ancelmo Gois.
Interessados poderão contemplar as joias do templo como o altar-mor com douramento integral, uma rara representação de São Francisco com o Menino Jesus, do século XVII, e um lampião de 1710, considerado o primeiro ponto de iluminação pública da cidade.
Além disso, fica no Centro, bem pertinho dos fluminenses, a igreja com riqueza arquitetônica similar às de emblemáticas construções barrocas de Minas Gerais e da Bahia.
O ponto turístico também abriga o Museu Sacro Franciscano, criado em 1935.
A visita mediada, na segunda terça de cada mês, custa R$ 50.
As comuns custam R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia.
Matheus Campelo, comissário administrativo e eclesiástico da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, explica que a abertura aos sábados se iniciará ainda neste semestre.
Junto à novidade, está previsto o lançamento da rampa de acesso ao Morro de Santo Antônio revitalizada.
— Os frades vivem do lado da igreja.
Então, estamos traçando esse plano respeitando horários.
A gente pretende que a abertura seja ainda em 2026, tanto da rampa quanto desse novo dia de visitação — explica o comissário.
Enquanto isso, de segunda a sexta, interessados podem conferir de perto as obras, como imagens que marcaram a visita de Debret ao Rio no século XIX e pinturas de grandes dimensões de Dom Pedro II.
Grupos também aprendem sobre o processo geográfico e o contexto da religião na fundação do Rio de Janeiro, em 1565.
— A Igreja de São Francisco da Penitência é uma das mais antigas corporações de participação dos leigos na vida religiosa.
Ela começou em 1619, já no início da colonização no Rio de Janeiro.
A igreja acompanhou o crescimento da cidade, fez pelos mais necessitados — diz Matheus Campelo, que lembra que a igreja também estava associada à fundação de importantes hospitais do Rio, entre eles o Hospital de São Francisco da Penitência, cujo endereço original ficava no Centro do Rio e que deu origem ao atual Hospital São Francisco na Providência de Deus, localizado na Tijuca.
O imóvel é protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1938.
Por mês, cerca de 4 mil pessoas visitam os templos.Muitos, para apreciar as belezas arquitetônicas.
De 1998 a 2002, a restauração da nave da Igreja da Penitência atraiu mais e mais interessados.
As redes sociais também impulsionam os números.
Nesta terça (25), o estudante de Arquitetura Carlos Henrique Cabral, morador de Macaé, no litoral Norte do Rio, chegou a deitar no chão para apreciar a exuberância do interior da capela entalhado em cedro coberto por partículas de ouro.
— Conheci o mosteiro pelo Instagram, em conteúdos com indicações de “lugares para conhecer no Rio”.
Como a igreja estaria aberta no período em que eu estava visitando a cidade, aproveitei.
Acabou sendo uma das visitas que mais marcou o meu dia entre todos os lugares que conheci no Rio.
Além da arquitetura, dá para perceber a importância daquele espaço para a história do Rio de Janeiro e para a própria história da religião no Brasil — diz o estudante de 21 anos.
Joia do período barroco, Igreja de Ouro do Rio recebe 4 mil pessoas por mês e passará a abrir aos sábados
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