Jorge Furtado lança

Jorge Furtado lança 'Muito Prazer': 'comédia é uma espécie de armadilha para discutir temas sérios'

Fonte: Bandeira da fonte

O novo filme de Jorge Furtado, “Muito Prazer”, usa o humor para abordar temas como privacidade, exposição na internet, sexualidade e os limites entre o que é legal e ético.
Para o diretor, que volta à comédia após 20 anos, o gênero permite levar o público a discussões que poderiam parecer difíceis ou pouco atraentes à primeira vista.
“A comédia é uma espécie de armadilha.
Se eu disser para vocês: ‘vou fazer um filme sobre pessoas que se alimentam da sobra do alimento’, eu não quero ver isso.
Agora, se eu disser que é um filme engraçado, tu entra", afirmou em entrevista ao Estúdio CBN, em referência a Ilha das Flores (1989).

A estratégia está presente na trama de “Muito Prazer”, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (27).
O filme acompanha Rubem (Daniel de Oliveira), um motorista de aplicativo que herda um motel falido.
Ao lado de Grace (Luisa Arraes), funcionária que ainda vive no local, ele tenta reabrir o estabelecimento e encontra uma forma inusitada de ganhar dinheiro: instalar câmeras nos quartos e vender as imagens dos hóspedes, protegendo a identidade deles.
Filme 'Muito Prazer', de Jorge Furtado
Divulgação
A partir daí, a história passa por questões como exposição de imagens, internet, inteligência artificial e os limites éticos e legais do uso da tecnologia.
“Eu acho que a comédia sempre é política e ela sempre alerta a gente para os defeitos humanos”, disse o diretor.
Entre o humor e a crítica
A estratégia também aparece em outros trabalhos do diretor, como “Saneamento Básico” e “Ilha das Flores”.
Em “Muito Prazer”, os personagens cometem crimes enquanto tentam resolver problemas financeiros, mas o espectador é convidado a acompanhar essas escolhas sem necessariamente concordar com elas.
“Através dos personagens, a gente pensa: eu faria isso se eu ganhasse um motel? Acho que não, estou aqui na segurança do cinema, não estou fazendo nada de errado”, afirmou.
Para ele, acompanhar personagens que cometem ilegalidades funciona como uma espécie de exercício.
“É uma aeróbica para a alma, você exercita suas emoções, seus medos, através dos personagens.”