Ketlen Wiggers é um dos nomes imortalizados do futebol feminino e a maior artilheira no Santos na era pós-Pelé.
Após ficar meses parada em período de licença maternidade de seu primeiro filho, Lucca, a atacante conversou com a Quem sobre suas expectativas para a Copa do Mundo Feminina no ano que vem e se estaria em seus planos voltar a vestir a Amarelinha.
"A expectativa é muito boa de poder ter um bom público assistindo o futebol feminino, torcendo muito pelo Brasil para que a gente possa conquistar a nossa primeira estrela.
Se eu não estiver dentro de campo, estarei na arquibancada apoiando e torcendo muito pelas atletas e, com certeza, vai ser um grande evento aqui", prevê.
Ketlen conta que o fato de a próxima Copa acontecer no Brasil irá potencializar ainda mais a Seleção, que já é uma das favoritas para erguer a taça.
"Vejo pelo lado de estímulo, porque você ter uma torcida a seu favor jogando no seu país, um lugar onde você conhece os gramados e o clima.
É muito a favor do Brasil, vejo pelo lado positivo de ter a torcida nos apoiando e poder jogar também para a nossa família, para as pessoas ao redor", afirma.
A jogadora tem três passagens pela Seleção Brasileira no Sub-17, Sub-20 e no profissional, ela conta que ainda pensa na Amarelinha.
"Todas que jogam têm esse sonho de poder vestir a camisa da Seleção, já tive minha passagem pela base, pelo profissional, e, com certeza, foram passagens maravilhosas", diz.
"Preciso trabalhar muito, porque a minha posição é uma posição em que existem atletas maravilhosas, com certeza, estarei trabalhando, buscando o melhor.
Claro, se um dia esse sonho realizar, fico muito feliz novamente", afirma.
Ketlen Wiggers quando estava grávida de Lucca, seu primeiro filho
Reprodução/@_reinaldocampos
Transformações no futebol
A cada temporada, a visibilidade e o engajamento do futebol feminino com o público crescem mais no Brasil.
Segundo dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), um balanço entre 2021 e 2026 mostra um aumento das partidas de 398 para 712 (79%) e que o número de competições passou de seis para nove.
Essa diferença reflete uma mudança tanto de investimento quanto de interesse público no futebol feminino, e Ketlen conta que ao longo de sua carreira também percebeu isso.
"Quando dei meus primeiros passos profissionais, a gente não tinha muita mídia, ninguém sabia quem a gente era, que a gente jogava futebol, que existia futebol feminino", detalha.
"Mudou bastante o pensamento das pessoas, a gente tem muito mais apoio e eu creio que isso não é só o começo.
Estamos num crescimento no futebol feminino, no ano que vem vai melhorar ainda mais durante a Copa do Mundo", reflete.
Segundo Ketlen, essa mudança é estimulante.
"Isso é muito importante o olhar das pessoas para a gente, o respeito que elas têm.
Mudou muito e eu fico muito feliz por ter sido uma das pioneiras do futebol feminino, não vou falar as primeiras, porque tem muitas outras antes de mim, mas por ter passado por tudo isso e ver essa nova geração colhendo tudo que a gente plantou lá atrás", fala.
Ketlen Wiggers
Reprodução/@_reinaldocampos
Vida no Santos e maternidade
Ketlen faz parte das Sereias da Vila, como são conhecidas as jogadoras do futebol feminino, que desde o início a apoiaram em sua gravidez, inclusive preparando surpresas para a mamãe de primeira viagem.
Lucca, fruto de seu relacionamento com o médico esportivo Ricardo Eid, nasceu em 20 de novembro de 2025 e, após oito meses, a jogadora voltou aos gramados.
Em meio à nova pressão da maternidade e como atleta, ela conta que possui ajuda psicológica para ajudá-la neste momento.
Ketlen Wiggers e Lucca, seu primeiro filho
Reprodução/Instagram
"Eu acho que pressão sempre vou ter, principalmente por ser artilheira do Santos, sempre tenho essa pressão comigo de ter que fazer gol.
As pessoas acabam me pressionando de uma forma para que eu possa ajudar a equipe", diz.
Ketlen respondeu bem a essa expectativa e, em sua primeira partida depois da licença maternidade, balançou as redes contra o América- MG, dedicando o gol a Lucca.
"Quando eu retornei, já voltei com essa pressão, mas eu tenho a cabeça boa.
Também faço um trabalho psicológico para isso, para eu poder aguentar qualquer tipo de pressão aqui dentro do time", detalha.
"Claro, as pessoas me pressionam, mas fico com a cabeça boa, tranquila, sabendo que as coisas aconteceriam tudo no tempo certo, e assim como vem acontecendo.
O gol saiu mais rápido do que eu esperava, e eu acho que [do que] todo mundo esperava.
Fico muito feliz por isso, porque a pressão do gol já saiu, e agora eu consigo jogar muito mais tranquila", diz.
Ketlen Wiggers e Neymar
Reprodução/Instagram
A atacante destaca que as lições que aprendeu nos gramados tem levado também para a maternidade.
"Eu acho que tem muitas coisas que a gente aprende no dia a dia, mas a responsabilidade talvez seja uma delas.
Sempre fui muito responsável dentro de campo, responsável na minha vida fora do campo, no descanso e na alimentação", pontua.
"Essa responsabilidade, com certeza, me ajudou muito a ser hoje mais responsável, pensando no meu filho, em tudo que eu preciso fazer por ele.
Hoje a minha cabeça é 24 horas pensando nele.
Isso me moldou muito e eu sou uma pessoa muito melhor também", afirma.
