Leitores preferem contos escritos por IA e não conseguem distingui-los dos humanos, diz estudo - QTU Questões do Universo

Leitores preferem contos escritos por IA e não conseguem distingui-los dos humanos, diz estudo

Fonte: Bandeira da fonte

Leitores não apenas têm dificuldade para distinguir contos escritos por inteligência artificial daqueles produzidos por seres humanos, como também tendem a preferir as histórias criadas por IA.
A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Villanova, nos Estados Unidos, que aponta uma mudança na percepção sobre a capacidade criativa dos sistemas de inteligência artificial.
A pesquisa mostrou ainda que textos gerados pelo ChatGPT receberam avaliações mais altas de qualidade e envolvimento do que obras de autores humanos.
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Publicado na revista científica Judgment and Decision Making, o estudo reuniu três experimentos com mais de 2,5 mil participantes.
No primeiro, 1.682 adultos leram um de seis contos — três escritos por autores humanos e três produzidos pelo ChatGPT, cada um com temática semelhante ao correspondente humano.
Em alguns casos, os participantes receberam informações corretas sobre a autoria; em outros, a origem do texto foi propositalmente trocada.
Os resultados indicaram que os contos produzidos por inteligência artificial foram avaliados como 6% melhores em qualidade e 8% mais envolventes do que os escritos por pessoas.
O desempenho foi ainda superior quando os leitores acreditavam, erroneamente, que aquelas histórias haviam sido escritas por humanos, o que elevou as notas em cerca de 3%.
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Segundo a pesquisadora Deena Skolnick Weisberg, professora associada do Departamento de Ciências Psicológicas e do Cérebro da Universidade Villanova e autora sênior do estudo, o resultado revela um viés em favor da autoria humana.
— As pessoas presumem que a escrita criativa exige qualidades exclusivamente humanas, como compreensão emocional e experiências de vida.
Isso faz com que subestimem as capacidades atuais da inteligência artificial.
As percepções do público sobre a IA já estão desatualizadas — afirmou.
Leitores falham ao identificar autoria
Os pesquisadores realizaram ainda dois experimentos adicionais, com 905 participantes ao todo.
Neles, cada voluntário recebeu dois contos sobre o mesmo tema — um escrito por um humano e outro por IA — sem qualquer indicação sobre a autoria.
O objetivo era identificar qual texto havia sido produzido por inteligência artificial.
Os participantes acertaram apenas 39,9% das vezes em um experimento e 52% no outro.
Segundo os autores, os resultados indicam que, na prática, as pessoas não conseguem diferenciar de forma confiável histórias produzidas por humanos e por IA.
A pesquisa também identificou fatores associados ao desempenho nessa tarefa.
Participantes que relataram maior familiaridade com ferramentas de inteligência artificial obtiveram melhores resultados na identificação dos textos gerados por IA.
Já aqueles que afirmaram ter maior experiência com literatura não apresentaram vantagem significativa.
No segundo experimento, cada ponto adicional na autopercepção de conhecimento sobre IA aumentou em 14% as chances de identificar corretamente o autor do texto — ou seja, quem entende mais sobre inteligência artificial tende a perceber seu uso com mais facilidade.
No terceiro, utilizando a Escala de Alfabetização em Inteligência Artificial (AILS), esse aumento chegou a 33%.
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Weisberg afirmou que usuários mais experientes conseguem reconhecer padrões característicos da escrita produzida por IA, como o uso frequente de travessões e construções repetitivas do tipo "não é apenas X, é Y".
Para ela, ampliar a alfabetização em inteligência artificial pode ajudar as pessoas a navegar melhor em um ambiente cada vez mais permeado por conteúdos gerados por máquinas.
Clareza favorece textos produzidos por IA
Os pesquisadores sugerem que a preferência pelos textos produzidos por IA pode estar relacionada ao estilo de escrita adotado pelos modelos de linguagem.
Segundo Weisberg, as histórias geradas por inteligência artificial tendem a ser mais claras, diretas e fáceis de processar cognitivamente.
Já os autores humanos costumam produzir narrativas mais sutis, complexas e abertas à interpretação, exigindo maior esforço do leitor.
— Talvez as pessoas simplesmente prefiram conteúdos mais previsíveis, porque materiais difíceis ou sutis exigem mais esforço mental — afirmou.
Apesar dos resultados, a pesquisadora ressalta que o estudo não significa que a produção literária humana tenha perdido valor.
— Talvez precisemos abrir espaço para romances escritos por IA ou em colaboração entre humanos e inteligência artificial.
Mas isso não elimina o valor da criatividade humana.
As pessoas escrevem para se expressar, compreender suas experiências e desafiar a si mesmas.