A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de liberar a retomada das visitas permanentes de Carlos Bolsonaro e Jair Renan ao ex-presidente Jair Bolsonaro foi recebida com entusiasmo por aliados de Flávio Bolsonaro (PL).
A avaliação é que a mudança facilita a interlocução familiar com o ex-mandatário durante os cerca de 60 dias em que o candidato à Presidência ainda estará impedido de encontrá-lo pessoalmente.
Interlocutores de Flávio comemoraram a decisão assim que ela se tornou pública nesta sexta-feira.
Embora a restrição ao candidato permaneça inalterada, aliados avaliam que o retorno de Carlos e Jair Renan às visitas cria mais caminhos para o contato com Bolsonaro.
Até agora, diante das limitações impostas aos filhos, Michelle Bolsonaro e advogados eram as únicas pessoa que podia dar notícias sobre o ex-presidente aos filhos.
A ex-primeira-dama mora com Bolsonaro e permaneceu ao lado do marido durante o período de restrições.
Pessoas próximas a Flávio avaliam que a autorização dada aos dois irmãos reduz a dependência de Michelle como principal ponte familiar com o ex-presidente, sobretudo em um período em que o senador está impedido de encontrá-lo.
Flávio ainda terá cerca de dois meses pela frente sem poder visitar o pai.
Em julho, Moraes suspendeu por 90 dias o direito de visita do senador depois que ele divulgou nas redes sociais uma carta escrita por Bolsonaro com uma mensagem de apoio à sua candidatura.
A restrição atravessa todo o primeiro turno e só termina depois da votação de 4 de outubro.
A suspensão alterou uma rotina de encontros frequentes entre pai e filho.
Levantamento feito pelo próprio Moraes ao analisar o caso mostrou que, entre o início da prisão domiciliar, em 27 de março, e a imposição das novas limitações, Flávio havia visitado Bolsonaro 18 vezes, além de uma ocasião em que esteve acompanhado da família.
Carlos esteve com o pai 11 vezes e Jair Renan, duas.
A punição específica a Flávio foi imposta em 13 de julho.
Dois dias antes, o senador havia visitado Bolsonaro e, após o encontro, divulgado uma carta manuscrita pelo ex-presidente.
No documento, Bolsonaro manifestava apoio à candidatura do filho.
Moraes entendeu que a divulgação representou descumprimento da determinação que impede o ex-presidente de utilizar as redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros, e proibiu as visitas por 90 dias.
Carlos e Jair Renan foram atingidos posteriormente por uma restrição de prazo menor.
Com o fim desse período, Moraes restabeleceu nesta sexta-feira o regime permanente de visitas dos dois, nos mesmos horários e condições anteriormente estabelecidos.
A decisão mantém, no entanto, a proibição de que os encontros tenham finalidade político-eleitoral ou sejam usados para a divulgação de manifestações desse caráter, inclusive por terceiros.
Para os demais visitantes, continua sendo necessária autorização prévia do Supremo.
