Líderes em repercussão nas redes, Flávio tem maior engajamento, Renan Santos publica mais e Lula domina menções - QTU Questões do Universo

Líderes em repercussão nas redes, Flávio tem maior engajamento, Renan Santos publica mais e Lula domina menções

Fonte: Bandeira da fonte

Desde a largada oficial da campanha presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Renan Santos (Missão) lideram a repercussão nas redes sociais entre os candidatos lançados.
Levantamento da Bites feito a pedido do GLOBO mostra os três candidatos à frente em volume de interações: Renan soma 7,7 milhões, Flávio registra 7,5 milhões e Lula, 7,05 milhões.
Juntos, os três concentram cerca de 60% das interações registradas entre os presidenciáveis analisados pela consultoria de dados.
O equilíbrio no placar, porém, esconde estratégias e desafios distintos.
Renan é o mais ativo dos três e chega à liderança com um volume maior de publicações: foram 310 no período, contra 244 de Lula e 133 de Flávio.
Apesar de publicar menos da metade do que Renan, Flávio alcança praticamente o mesmo volume de interações e registra a maior média por postagem entre os três.
São cerca de 56,4 mil interações por publicação do senador, contra 28,9 mil de Lula e 24,8 mil de Renan.
Foram considerados dados de publicações no Instagram, X, Facebook e TikTok entre 16 de agosto, início oficial da campanha eleitoral, e esta segunda-feira.
Nas últimas eleições, as redes sociais se consolidaram como um dos principais campos da disputa presidencial, com a direita e o bolsonarismo demonstrando maior capacidade de mobilização nesse ambiente.
Os primeiros números de 2026 mostram Flávio à frente de Lula em eficiência por publicação, enquanto Renan tenta ganhar espaço por meio de uma presença mais intensa nas plataformas.
Romeu Zema (Novo) aparece em um segundo pelotão, com 2,08 milhões de interações, seguido por Augusto Cury (Avante), com 1,29 milhão.
Ronaldo Caiado, candidato do PSD, registra o menor volume entre os nomes analisados, com 610 mil.
“No volume de interações, Flávio, Lula e Renan estão brigando de perto, todos eles bem à frente de Romeu Zema, Augusto Cury e Ronaldo Caiado”, diz o relatório da consultoria.
A análise dos conteúdos feita com auxílio de inteligência artificial mostra que, embora os candidatos misturem diferentes assuntos nas redes, Flávio e Lula dão espaço relevante para economia e emprego, com abordagens diferentes.
— Todos em geral misturam alguns temas, mas Flávio e Lula tentam dar uma pincelada em temas econômicos, Lula tentando dizer que o Brasil está pronto para mais, que vai dar um salto para outro patamar, e falando em soberania e em avançar.
Flávio fala em tirar o país do vermelho, critica o governo, diz que a vida piorou — explica André Eler, diretor técnico da Bites.
No caso de Renan Santos, as publicações são concentradas principalmente em críticas a Lula e segurança pública.
Zema também foca nas críticas a Lula, estendidas também ao Judiciário e Supremo Tribunal Federal (STF).
Caiado, por outro lado, também tem a segurança pública como principal tema de engajamento.
Considerando todos os candidatos analisados, Pablo Marçal aparece à frente, com 11,1 milhões de interações, o equivalente a 29,7% do total.
Sua permanência na disputa, no entanto, está ameaçada.
Nesta segunda-feira, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) negou recurso apresentado pelo candidato do PRTB à Presidência e manteve sua inelegibilidade até 2032.
O cenário muda quando a análise deixa de considerar apenas as interações nas publicações dos candidatos e passa a medir o conjunto da discussão sobre eles na internet.
Nesse recorte, que inclui sites de notícias, X, Reddit, Bluesky, blogs, YouTube, Facebook e Instagram, Lula aparece como o principal personagem da campanha no ambiente digital.
O presidente concentra 49,5% das menções, contra 34,5% de Flávio.
A maior exposição, porém, também vem acompanhada de maior repercussão negativa: 49,6% das menções a Lula têm esse teor, enquanto 20,6% são positivas e 29,8%, neutras.
No caso de Flávio, 43% são negativas, 22,5%, positivas e 34,5%, neutras.
Lulinha amplia pressão sobre Lula
Uma das frentes de desgaste que ajudam a explicar a repercussão negativa em torno do presidente é a investigação envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Outro levantamento da Bites mostra que o caso ganhou espaço significativo na discussão sobre o escândalo do INSS nas redes ao longo de 2026.
As investigações em torno de um possível tráfico de influência pelo filho do presidente dispararam as menções a Lulinha, que já respondem por quase um terço (31,4%) da repercussão digital do escândalo do INSS neste ano.
O escândalo foi mencionado em 12,34 milhões de ocasiões na internet em 2026.
Desse total, Lulinha esteve no centro de 3,88 milhões de publicações sobre o tema.
Já o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, também alvo de investigação, foi citado 341 mil vezes.
As menções a Lulinha no ano correspondem ainda a 6,8% do volume de postagens sobre o próprio presidente.
A oposição tem papel central na disseminação do assunto.
Uma análise do Instituto Democracia em Xeque mostra que perfis de direita foram responsáveis por 71% das publicações sobre o caso Lulinha.
O episódio, contudo, teve menos força nas primeiras horas de repercussão do que uma crise que atingiu o próprio Flávio.
Nas primeiras 24 horas, o caso Lulinha registrou 181 mil menções, enquanto o episódio conhecido como “Dark Horse” chegou a 659.167, segundo o instituto.
Em maio, o site The Intercept publicou mensagens em que Flávio cobrava dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, para a produção de um filme sobre a história de seu pai.
Outro episódio envolvendo o senador, a briga com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, alcançou 117.383 menções.
Os episódios mostram que, embora Flávio e Lula tenham largado à frente na mobilização digital, ambos também entram na campanha expostos a controvérsias capazes de dominar a discussão nas redes.
Flávio depende de aliados para ampliar alcance
No caso de Flávio, o alto engajamento por publicação convive com outra preocupação dentro da campanha.
A avaliação de aliados é que o senador ainda depende de outros personagens da direita e do bolsonarismo para ampliar o alcance de sua candidatura e movimentar o debate nas redes.
O vídeo de reconciliação com Michelle Bolsonaro reforçou essa percepção.
No perfil da ex-primeira-dama, a publicação alcançou 12,7 milhões de visualizações, ante 1,6 milhão no perfil do senador — quase oito vezes mais.
Como estratégia de reação, a campanha passou a escalar outros porta-vozes da direita para tentar ampliar o poder digital de Flávio.
A movimentação ocorre em meio a cobranças dentro da própria família Bolsonaro por maior participação de aliados na campanha.
Os irmãos do candidato à Presidência, Carlos e Eduardo Bolsonaro, já manifestaram incômodo e reclamaram publicamente do baixo engajamento de outros nomes da direita na candidatura de Flávio.