Limite de juros no consignado privado pode tornar modalidade menos atraente para bancos, diz Rocha, do BC - QTU Questões do Universo

Limite de juros no consignado privado pode tornar modalidade menos atraente para bancos, diz Rocha, do BC

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O chefe do departamento de estatísticas do Banco Central (BC), Fernando Rocha, disse nesta quinta-feira (30) que a implementação de um limite de juros no crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado pode tornar a modalidade menos atraente para as instituições financeiras.
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Em junho, o Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado divulgou regras para o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia para obter crédito mais barato.
A taxa de juros dessas operações está limitada a 1,99% ao mês.

“A gente tem uma regulamentação de um teto de taxa de juros que pode, eventualmente, tornar a modalidade menos atraente do ponto de vista das instituições financeiras”, disse Rocha, durante apresentação das estatísticas monetárias e de crédito do primeiro semestre.

“Nós não estamos entrando no mérito se os juros são altos ou baixos, se o teto é justificável ou não, ou se o nível estabelecido para o teto é adequado.
Numa análise econômica padrão, de comparar preço com quantidade, se há uma limitação de preço, vai ter impacto na quantidade”, afirmou Rocha.

O trabalhador vai poder dar como garantia 35% das verbas rescisórias em caso de saída do emprego, 100% da multa do FGTS e 10% do saldo no fundo.
O crédito consignado é um empréstimo cujas parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento do trabalhador.
Rocha afirmou que o programa Crédito do Trabalhador tem “méritos inegáveis”.

Para ele, o uso do saldo de contas do FGTS como garantia possibilita melhores condições para a modalidade de crédito.
“Essa é uma funcionalidade que demorou um tempo para entrar em vigor, e pode aumentar o nível de garantias percebidas para a operação, e pode, portanto, diminuir a taxa de juros dessa modalidade e ser um estímulo adicional para a contratação de novas operações”, disse.

O saldo das operações de crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado subiu 3,8% em junho ante maio, para R$ 113,3 bilhões.
Em 12 meses, a alta foi de 143,1%.

As concessões, por sua vez, caíram 1% em junho contra maio, totalizando R$ 7,68 bilhões.
Segundo Rocha, a modalidade tem se estabilizado em patamar inferior a R$ 8 bilhões em concessões mensais depois de um forte crescimento em 12 meses.
Ele declarou que, apesar da queda no mês, o nível ainda é bastante “significativo”.

“Com mais de um ano de operação deste novo sistema, o produto financeiro crédito consignado para trabalhador privado está ficando mais maduro.
As instituições financeiras e os tomadores têm melhores condições de avaliar as condições de crédito, e isso talvez seja um fator para uma maior estabilização dessas concessões mensais”, declarou Rocha.

A taxa média de juros do crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado foi de 54% ao ano.
Subiu 0,1 ponto percentual em relação a maio.
Em 12 meses, recuou 2,3 pontos percentuais.

A inadimplência nessa modalidade aumentou para 8,6% em junho, com alta de 0,7 ponto percentual em comparação com maio.
O percentual é recorde na série histórica, iniciada em março de 2011.
Em 12 meses, aumentou 2 pontos percentuais.

Rocha afirmou que o crescimento das taxas de inadimplência é relevante e “necessário observar”.
Para o chefe do Departamento de Estatísticas, o aumento de 0,7 ponto percentual é uma “continuidade” do ritmo de crescimento registrado ao longo dos meses de 2026.

“Ao longo de 2026, o crescimento da taxa de inadimplência do crédito ao trabalhador tem sido grande, significativo, na comparação com as demais modalidades”, disse Rocha.
“O uso do FGTS tem potencial de dar uma garantia mais forte e trabalhar no sentido de reduzir a inadimplência”, acrescentou.

Fernando Rocha, chefe de estatística do BC
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