A movimentação do milho deve ganhar intensidade nos próximos meses e voltar a dar suporte aos fretes rodoviários de grãos, que perderam força em julho em parte das principais regiões produtoras do País, especialmente em Mato Grosso, após o forte ritmo de escoamento da soja no primeiro semestre.
A avaliação consta do Boletim Logístico de agosto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O comportamento, porém, é desigual entre os Estados: enquanto rotas mato-grossenses registraram quedas de até 11% no mês, no Paraná a disputa por caminhões entre soja e milho pressionou fretes em rotas para Paranaguá.
A pressão logística ocorre em meio a uma safra brasileira de grãos estimada pela Conab em 360,8 milhões de toneladas em 2025/26, crescimento de 2,4%, ou 8,5 milhões de toneladas, ante o ciclo anterior.
A soja responde por aumento de 9 milhões de toneladas e o milho, de 1,8 milhão de toneladas.
No fim de julho, 58,3% da área de milho segunda safra havia sido colhida.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, a Conab identificou "esfriamento e leve declínio das cotações" na maior parte das rotas pesquisadas.
Depois de um primeiro semestre aquecido pela retirada da soja e pela necessidade de liberar armazéns antes da entrada do milho, o fluxo da oleaginosa diminuiu e o cereal ainda não ganhou ritmo expressivo de negócios e embarques.
Segundo a companhia, a entrada da nova oferta pressionou os preços do milho e levou produtores a adiar vendas à espera de cotações melhores.
Esse quadro, contudo, pode mudar.
A Conab espera intensificação das negociações e do escoamento do milho nos próximos meses, movimento que tende a ampliar a demanda por transporte e produzir reflexos positivos sobre os fretes.
A companhia também destacou a mudança estrutural provocada pelo crescimento do consumo de milho dentro de Mato Grosso, com avanço de trajetos curtos para atender indústrias locais, em detrimento de parte dos fluxos direcionados à exportação.
A expansão ferroviária, com novos pontos de descarga próximos a Campo Verde e Primavera do Leste, também aumenta o giro dos caminhões e a oferta relativa de transporte.
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Em julho, o frete de Sorriso para Santos recuou 2% ante junho, de R$ 510 para R$ 500 por tonelada, enquanto o trecho para Paranaguá caiu de R$ 500 para R$ 490.
As baixas foram mais acentuadas nas rotas de Sorriso para Alto Araguaia, de 9%, para R$ 210 por tonelada; Rondonópolis, de 8%, para R$ 165; e Miritituba, também de 8%, para R$ 290.
Em Primavera do Leste, o transporte para Alto Araguaia caiu 11%, para R$ 125 por tonelada, enquanto as rotas para Santos e Paranaguá ficaram estáveis em R$ 420 e R$ 410, respectivamente.
O cenário foi diferente no Paraná.
A manutenção de embarques de soja para exportação, combinada ao avanço da colheita do milho segunda safra, ampliou a concorrência por caminhões em julho.
Na rota Campo Mourão-Paranaguá, o valor subiu 40% no mês, de R$ 164 para R$ 230 por tonelada, e ficou 50% acima de julho de 2025.
De Toledo para Paranaguá, houve aumento de 8%, para R$ 218 por tonelada.
Cascavel-Paranaguá avançou 2%, para R$ 205, enquanto Ponta Grossa-Paranaguá subiu 3%, para R$ 87,50.
Em Mato Grosso do Sul, a colheita de milho ganhou tração após atrasos provocados por chuvas e alta umidade, elevando a procura por caminhões, mas os preços apresentaram comportamento misto.
O frete de Chapadão do Sul para Paranaguá subiu 3% no mês, para R$ 315 por tonelada, e para Guarujá avançou também 3%, para R$ 320.
Em Ponta Porã, as rotas para Paranaguá e Santos aumentaram 7% e 6%, respectivamente.
Já Dourados-Maringá caiu 10%, para R$ 120 por tonelada, enquanto Maracaju-Paranaguá recuou 7%, para R$ 266
A demanda doméstica também ganhou importância no Estado.
Na ausência de novos embarques externos de milho em julho, parte da produção foi retida ou direcionada a indústrias de bioenergia, cooperativas e cadeias de proteína animal.
A Conab estima movimentação rodoviária de aproximadamente 800 mil toneladas de milho voltada ao mercado interno no mês.
A soja manteve fluxo relevante, com 933,2 mil toneladas exportadas, alta de 11,6% ante julho de 2025, além de aproximadamente 300 mil toneladas destinadas ao processamento doméstico.
No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras de soja somaram 82,96 milhões de toneladas, ante 76,95 milhões de toneladas no mesmo período de 2025.
O Arco Norte respondeu por 39% dos embarques, seguido por Santos, com 35,7%, e Paranaguá, com 13,1%.
O Porto de Santos movimentou 29,65 milhões de toneladas de soja no período, enquanto Paranaguá escoou 10,86 milhões.
