Pode-se dizer que é um sinal dos tempos.
A placa dizia "Proibido influenciadores", e John Sylvia a pendurou neste verão na Four Winds Craft Guild — sua loja de antiguidades e artesanato, onde os clientes passeiam e compram artigos variados da Nova Inglaterra, como bolsas de cestaria feitas à mão que custam a partir de cerca de US$ 1.800.
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Em sintonia com o estilo náutico da ilha, as palavras foram gravadas em letras douradas em um painel artesanal que pendia de uma corrente no teto.
"Às vezes, sinto que minha loja é usada como pano de fundo para alguém, como um palco", disse Sylvia, cuja família também é proprietária da Sylvia Antiques há quase um século, em uma entrevista por telefone.
Os visitantes tiram fotos e fazem vídeos, mas não compram nada nem tentam puxar conversa, contou.
A placa não deveria ser interpretada literalmente, disse Sylvia, de 59 anos.
“Não tenho esse ódio por influenciadores”, acrescentou ele.
“Foi mais uma brincadeira.
É um problema que devemos analisar como sociedade.”
Lojistas de Nantucket, nos EUA, criticam presença de influenciadores na região
Erin Schaff/The New York Times
Mas, quando a companheira de Sylvia, Jessica Jenkins — que tem 50 anos e gerencia as redes sociais da loja —, postou uma foto da placa no Instagram, a imagem rapidamente tocou em sentimentos intensos sobre pessoas que ganham a vida produzindo conteúdo, e outras que começaram a imitá-las.
Algumas pessoas elogiaram a empresa por se posicionar contra o que consideravam um incômodo moderno e irritante.
Outras não tardaram a criticar a forma como a placa parecia excluir um grupo específico de pessoas, observando que muitos visitantes da loja que não se identificam como influenciadores também poderiam agir da mesma maneira.
E então, jogando lenha na fogueira do debate, houve uma pessoa que afirmou que proibir influenciadores de entrar na loja equivalia a proibir mulheres.
Essa pessoa era Paige Paul, uma criadora de conteúdo com mais de 1 milhão de seguidores cuja marca de lifestyle, Dairy Boy, inaugurou recentemente uma loja em Nantucket.
“Zombar de mulheres quando elas conquistam poder em um novo setor não é novidade”, escreveu Paul, mais conhecida como Paige Lorenze antes de se casar com o tenista Tommy Paul, em um comentário na publicação do Instagram.
“É uma mensagem estranha vinda de uma loja que celebra um artesanato com uma história tão rica de mulheres moldando a ilha e sua economia.”
Sylvia afirmou que a placa era apenas uma brincadeira irônica sobre a ascensão da cultura dos influenciadores.
A postagem que incluía a placa foi posteriormente removida pelo Instagram, disse Jenkins, mas a discussão sobre a presença de pessoas circulando pela ilha, tirando fotos e gravando vídeos, continuou.
“Sinto que, sempre que abro o Instagram, vejo alguém me mostrando um guia do que vestir, onde comer, o que comprar ou como fazer as malas para Nantucket”, disse Jenkins, que é moradora da ilha durante o ano todo.
Ao caminhar pela cidade, disse ela, depara-se com uma enxurrada de “pessoas gravando vídeos nas esquinas — bebendo café gelado, olhando por cima do ombro, chutando o ar com o pé ou algo do tipo”.
Stephanie Sproule, proprietária da Bodega — uma loja de artigos para a casa em Nantucket —, disse ter notado um aumento no número de “pessoas que vêm aqui apenas para tirar fotos e serem vistas em Nantucket”.
Ela descreveu visitantes tentando transitar pelas ruas de paralelepípedos de salto alto e contou que uma amiga, moradora das proximidades de um cais particularmente pitoresco e repleto de hortênsias, relatou a presença de mulheres que chegavam com araras de roupas para produzir sessões de fotos.
No verão passado, uma criadora de conteúdo chamada Kylie Swanson despertou a indignação de alguns moradores e proprietários de empresas de Nantucket após organizar um acampamento de verão de quatro dias para adultos — ao custo de US$ 3.800 por pessoa — e solicitar produtos e serviços gratuitos a empresas locais.
Neste verão, marcas como Hotel Lobby Candle e Sam Edelman levaram grupos selecionados de criadores de conteúdo à ilha para viagens promocionais repletas de presentes e experiências luxuosas.
Sanibel Lazar, escritora e consultora de admissões universitárias radicada em Nova York — que passou a infância visitando Nantucket durante o verão —, disse que também notou as mudanças.
Visitantes que chegam a Nantucket agora, disse Lazar, podem esperar encontrar uma versão "muito mais hipercurada do que, digamos, há 10 anos, já que muita gente usa o local como destino para viagens de relações públicas".
Algumas marcas e empresas começaram a atender a esse novo público, segundo ela: neste verão, ela notou que uma loja temporária havia instalado hortênsias de plástico perfeitas para fotos, apesar da abundância de flores naturais na ilha.
A sensação pode ser a de um "mundo artificial muito próximo da realidade", disse ela.
"As marcas — para fotos, para conteúdo de redes sociais — precisam elevar ainda mais o nível da perfeição", acrescentou.
Amy McAveety, de 23 anos, que cresceu em Nantucket e é criadora de conteúdo no TikTok — postando frequentemente sobre a ilha —, receava ser rotulada da mesma maneira generalista.
“Realmente sinto que há influenciadores que vêm passar o dia ou alguns dias e são inconvenientes, não respeitando a ilha”, disse McAveety, que está passando o verão trabalhando em um estúdio de Pilates local.
“Acho que muitos moradores locais desenvolvem um certo sentimento de posse em relação a Nantucket, assim como os visitantes de verão; acho isso curioso.”
A placa de “Proibido Influenciadores” de Sylvia é a mais recente de uma série de iniciativas de estabelecimentos comerciais para contrapor o poder das redes sociais.
Em 2023, um café no Brooklyn proibiu fotos e vídeos em seu interior para coibir o uso do espaço — de design minimalista e bem elaborado — como cenário para o conteúdo de influenciadores.
Naquele mesmo ano, uma cidade de Vermont famosa pela folhagem de outono viu-se obrigada a fechar estradas depois que postagens no TikTok e no Instagram provocaram uma enxurrada de visitantes que se comportavam de maneira inadequada.
Mas, como os comerciantes de Nantucket estão descobrindo, tais iniciativas podem acabar atraindo mais atenção.
O que não é necessariamente algo ruim para os negócios.
Jenkins observou que a conta da Four Winds Craft Guild no Instagram ganhou cerca de 8.000 novos seguidores desde que ela colocou a placa.
“Isso gerou muita polêmica, mas também atrai clientes”, acrescentou ela.
Na terça-feira, Paul postou uma foto da Dairy Boy, sua loja em Nantucket, com uma placa própria: “Todos são bem-vindos”.
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