O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu a um “aliado improvável”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar contornar a escalada de tensão com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Essa é a avaliação do Financial Times em reportagem publicada neste sábado (22), um dia após os dois presidentes conversarem por telefone.
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A reportagem destaca a tentativa do governo brasileiro de apostar na interlocução direta entre os dois chefes de Estado em meio ao agravamento das divergências entre Brasília e Washington.
O contato ocorre em um momento de forte desgaste diplomático, marcado pela troca de críticas entre Lula e Rubio e pela imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
Segundo o jornal, a estratégia brasileira é utilizar a relação entre Lula e Trump para tentar abrir espaço para negociações e reduzir a pressão exercida pelo governo americano.
Lula e Trump conversaram por cerca de uma hora e 20 minutos na manhã de sexta-feira.
De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o telefonema ocorreu em tom “amistoso e cordial”.
O presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações sobre as tarifas e classificou como “infundadas” as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a aplicação das medidas.
Após a conversa, Lula afirmou que Trump reconheceu como incorreta a decisão de impor as tarifas ao Brasil.
A ligação havia sido sinalizada pelo presidente brasileiro a aliados no início do mês.
A aproximação entre Lula e Trump ocorre paralelamente à deterioração da relação com Rubio.
Nas últimas semanas, o secretário de Estado americano acusou o presidente brasileiro de colocar “o próprio ego” acima dos interesses da população.
Lula, por sua vez, classificou Rubio como um “latino-americano frustrado”.
O Financial Times também relata interpretações distintas dentro dos governos dos dois países sobre a escalada das tensões.
Uma autoridade americana ouvida pelo FT afirmou que Lula estaria “fabricando” um conflito com Rubio por acreditar que o sentimento antiamericano poderia ajudar na corrida presidencial.
Uma autoridade brasileira apresentou ao jornal uma leitura oposta e afirmou existir uma “agenda coordenada da direita do Brasil com a direita no Departamento de Estado dos EUA”.
A declaração, segundo o Financial Times, ocorre em meio às acusações de integrantes da família Bolsonaro sobre uma suposta articulação política envolvendo os Estados Unidos.
Apesar do aumento das críticas públicas, o Departamento de Estado americano afirmou, segundo a reportagem, que os Estados Unidos respeitarão o resultado soberano das eleições brasileiras e manterão a cooperação com qualquer governo escolhido pelos eleitores.
