Lula conversa com advogado de Lulinha no Alvorada sobre investigações da PF e ouve queixa por ‘vazamentos’ - QTU Questões do Universo

Lula conversa com advogado de Lulinha no Alvorada sobre investigações da PF e ouve queixa por ‘vazamentos’

Fonte: Bandeira da fonte

O presidente Lula e o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, conversaram no Palácio do Alvorada sobre as investigações que envolvem o filho do presidente.
O defensor afirma que reclamou com o chefe do Executivo do que classifica como “vazamentos” de informações sobre os três inquéritos a que Lulinha responde no Supremo Tribunal Federal (STF).
O encontro ocorreu na noite de quarta-feira.

O defensor afirmou que, após ouvir a queixa, Lula perguntou se há algum procedimento para apurar a divulgação de informações e recebeu resposta positiva.
Uma investigação foi aberta por determinação do ministro Flávio Dino, relator de um dos casos na Corte,
— Quem tocou no assunto fui eu.
Ele (Lula) tem dito que Fábio (Lulinha) tem que se explicar e se colocar à disposição da Justiça.
Fábio já fez isso — afirmou Marco Aurélio ao GLOBO.
O advogado de Lulinha já havia reclamado da divulgação de informações com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.
Os dois estiveram pessoalmente e conversaram por telefone.
Marco Aurélio, que é amigo do presidente e um dos coordenadores em São Paulo da campanha à reeleição, disse que o caso envolvendo o filho do presidente não foi o tema principal da conversa com Lula e foi tratado de forma secundária.
Os inquéritos apuram se Lulinha praticou tráfico de influência e “abriu as portas” do governo para a empresária Roberta Luchsinger, sua amiga.
Ela é sócia de uma consultoria que tentou fazer negócios no Ministério da Saúde e em outros órgãos públicos.
Diálogos entre os dois obtidos pela PF, revelados nesta semana, mostram que eles discutiam negócios em conjunto.
Em uma das conversas, em 22 de março de 2024, a empresária diz: “Nosso nível tá outro.
Nosso futuro é Suíça.
Poucos negócio é bom (sic).
Esse povo aqui tá em outra vibe”.
O filho do presidente responde em seguida: “Isso.
Deixa eles.
Trabalho para caralho e nunca dá em nada”.
Em outra mensagem a Lulinha, a empresária comenta sobre um almoço com Berger, referência a Swederberger Barbosa, na época secretário-executivo do Ministério da Saúde, segundo posto mais importante da pasta.
Apesar de o negócio envolvendo o fornecimento de medicamentos à base de cannabis não ter sido fechado pelo Ministério da Saúde, um inquérito no STF investiga se houve irregularidades na atuação de Luchsinger, Lulinha e do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que contratou Roberta para tentar viabilizar o negócio.
O filho do presidente ainda responde a outros dois inquéritos no Supremo por supostamente ter atuado com a amiga em outros órgãos do governo, como a Dataprev.
Campanha teme desgaste
Os inquéritos se tornaram pontos vulneráveis da campanha à reeleição de Lula e os desdobramentos do caso ampliaram o constrangimento entre petistas.
Aliados de Lula têm se dividido sobre como a campanha deve tratar as revelações.
Um grupo vê necessidade de falar abertamente sobre o caso, mostrando que Lula não poupará o filho, caso sejam comprovadas irregularidades.
Outra ala, no entanto, defende que esse assunto seja deixado de lado para evitar desgastes desnecessários.
O discurso de Lula sobre o filho seguirá na linha de que as suspeitas precisam ser investigadas.
Na última sexta-feira, o presidente revelou que pediu aos advogados de Lulinha que não peçam o encerramento das investigações:
— Ele (Lulinha) jura por tudo que é sagrado que não tem nada, e eu acredito nele, mas eu já disse para os advogados: "Ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho".
Quer fazer inquérito, faça.
Quero que seja investigado, como eu fui — disse Lula em entrevista ao podcast Não Inviabilize.