O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, em uma reunião com aliados no Palácio da Alvorada, seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola, alvo de suspeitas envolvendo repasses de uma empresária investigada no escândalo do INSS.
O ex-auxiliar nega irregularidades e diz que os valores eram referentes a um empréstimo pessoal.
Segundo pessoas que estavam presentes no encontro, ao se referir ao caso, Lula questionou: “Quem aqui nunca pediu um empréstimo para um amigo?”.
Ainda segundo relatos, o presidente afirmou que Marcola colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça e que se estiver tudo dentro da legalidade ele terá como provar.
O petista também fez uma defesa da atuação da Polícia Federal, destacando que em seu governo a corporação é independente.
A informação foi antecipada pelo jornal O Estado de S.
Paulo e confirmada pelo GLOBO.
A declaração de Lula ocorreu na tarde desta quarta-feira em encontro com integrantes do PSOL e da Rede, no Palácio da Alvorada.
A reunião ocorreu para oficializar o apoio da federação à reeleição do petista.
De acordo com relatos de dois participantes, o presidente afirmou que sempre que houver uma denúncia, a PF irá investigar e que quem errou terá de pagar pelos erros.
Em nota divulgada na segunda-feira, Marcola admitiu ter recebido repasses da empresária Roberta Luchsinger.
Em nova nota enviada na terça-feira, ele disse que pagou R$ 249 mil a ela, mas sem dizer se esse era o valor total do que havia recebido.
O ex-auxiliar de Lula é um dos nomes mais próximos do presidente.
Aos 40 anos, manteve forte relação com o petista na última década, com acesso ao presidente em momentos privados e atento inclusive aos hábitos do petista.
Cuidava da agenda do presidente desde a época do Instituto Lula, onde ingressou em 2015.
Também nesta quarta, Marcola deixou a coordenação da campanha de Lula para se dedicar a sua defesa.
Ele tinha deixado o gabinete presidencial em julho para exercer a mesma função que teve na campanha de 2022, com a agenda do presidente.
A transferência financeira feita por Roberta, que foi alvo da Polícia Federal sob suspeita de participação no esquema de fraudes do INSS, está sendo investigada pela PF.
Ela é apontada nas investigações como lobista e é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Marcola, em nota divulgada na terça-feira, disse que pagou R$ 249 mil à empresária após ter obtido um empréstimo pessoal junto a ela.
Ele disse ainda que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça para demonstrar que "jamais houve nada além do empréstimo pessoal" e negou qualquer irregularidade na operação.
Ele não afirmou, no entanto, quando ocorreu o empréstimo.
