O presidente brasileiro e pré-candidato à reeleição Lula deixou em dúvida, durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda, se estará presente em algum dos debates no 1º turno na disputa presidencial.
Ao ser questionado sobre o tema, o petista disse que precisaria 'avaliar' o nível do debate anteriormente.
'Caso esse debate não sirva para informar a população e politizá-la, por que que eu vou responder sacanagem? Por que que eu vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém?', questionou.
Lula defendeu que não vai 'dar colher de chá para quem não merece'.
'Eu estou vendo o quadro eleitoral, não sei quantos candidatos vão ter ainda.
Eu, como presidente da República, não vou para debate para ouvir bobagem.
Não vou'.
A expectativa é de participação de nomes da direita nos debates marcados, entre eles de Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
PT define que campanha de Lula focará na defesa da democracia contra 'falso patriotismo' de Flávio Bolsonaro
Lula e Flávio Bolsonaro, pré-candidatos à presidência da República
Roberto Casimiro/Fotoarena/Agência O Globo e Brenno Carvalho / Agência O Globo
O Partido dos Trabalhadores (PT) definiu a estratégia para a campanha do presidente Lula à reeleição.
Segundo fontes da legenda à CBN, o mote principal será a defesa da soberania e da autonomia do Brasil contra o chamado “falso patriotismo” de Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL.
Lula já vinha mencionando a defesa da soberania nos seus discursos desde o primeiro tarifaço dos EUA contra os produtos brasileiros em julho do ano passado.
A tática da campanha contra Flávio Bolsonaro será expor o próprio candidato.
A ideia é utilizar áudios e declarações passadas do próprio senador, como o episódio em que ele pede dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de reportagens jornalísticas, para embasar os ataques.
As peças publicitárias para a campanha devem ser aprovadas pelo presidente Lula em reuniões previstas nesta semana.
A oficialização da candidatura ocorre na convenção do partido, no próximo domingo (2).
Não será um mega evento: são esperados três mil convidados.
O foco do PT é a transmissão para as redes sociais para quem estiver em casa acompanhar.
Apenas três nomes farão discursos presenciais: o presidente nacional do PT e coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio Lula.
Os presidentes dos partidos aliados participarão por meio de vídeos gravados.
O primeiro grande ato de rua está marcado para o dia 16 de agosto.
Esse será um megaevento para 20 mil pessoas na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
A relação com o Tribunal Superior Eleitoral e o controle das redes sociais também estão no radar da sigla.
Oficialmente, o partido afirma que não acredita mais na neutralidade das plataformas digitais e cobra do TSE uma postura mais firme diante do que considera uma interferência inédita no processo eleitoral brasileiro com as recentes declarações do presidente da Argentina Javier Milei; fala do secretário americano Marco Rubio contra Lula e o novo tarifaço de Trump.
A legenda cita como exemplo a criação de milhões de perfis falsos nas eleições mexicanas e a proximidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com donos das chamadas Big Techs.
Nos bastidores, a preocupação central do PT é com o tempo de resposta da Justiça Eleitoral.
O partido avalia que o TSE precisa julgar as ações com rapidez para garantir a integridade do pleito.
Lula, presidente e pré-candidato à reeleição
Kayo Magalhaes/Agencia Enquadrar/Agencia O Globo
