O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai evitar na largada da corrida eleitoral visitar estados em que mais de um candidato disputa o seu apoio, na tentativa de reduzir atritos que possam atrapalhar a campanha à reeleição.
A situação ocorre em Pernambuco, na Paraíba e no Maranhão.
A campanha tenta se equilibrar entre as pressões dos aliados locais e a estratégia que privilegia o palanque nacional.
Em 2022, Lula alcançou 66% dos votos no segundo turno nos dois primeiros estados e chegou a 71% no Maranhão.
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Integrantes do grupo mais próximo ao presidente avaliam que uma margem folgada no Nordeste é essencial para os planos, diante da possibilidade de o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ficar na dianteira em estados populosos como São Paulo e Rio.
Pernambuco tem a disputa mais evidente.
Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) defendem o voto em Lula, que apoia Campos enquanto tenta não desagradar Lyra.
Em 12 de agosto, o presidente recebeu o ex-prefeito em Brasília e gravou uma participação no programa que ele levará à televisão.
João Campos pressiona
Outro pedido, no entanto, não foi atendido, ao menos até o momento.
Campos levou à cúpula do PT um cronograma de possíveis agendas ao lado de Lula em Pernambuco e ressaltou que o titular do Palácio do Planalto nunca deixa de ir ao estado natal nas campanhas — o petista nasceu em Garanhuns, município de 142 mil habitantes no agreste pernambucano.
Campos voltou ao Recife sem uma data confirmada, mas vem insistindo com os dirigentes petistas.
Enquanto isso, Campos usa as redes na tentativa de colar a imagem à do presidente, aparecendo inclusive em uma casa de taipa em Garanhuns e publicando fotos com Lula.
— Nunca tive dúvida.
O presidente sempre afirmou que apoia a nossa candidatura.
Isso é nítido e é um caminho natural, porque o PSB é o principal partido aliado a ele — disse Campos ao deixar a gravação com Lula, em 14 de agosto.
Agenda do presidente
Arte O Globo
Ao mesmo tempo, Raquel Lyra mantém interlocução com o presidente, é apoiada por aliados dele e tem reforçado o discurso de parceria com o governo federal.
Na comparação com o adversário, no entanto, ela nacionaliza menos a disputa.
Em entrevista ao GLOBO, ela disse que é “pernambuquista” ao ser perguntada se apoiaria o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, e afirmou que recebeu aval do presidente do partido, Gilberto Kassab, de conduzir a campanha com “liberdade”.
Interlocutores da governadora afirmam que ela vai reconhecer o empenho de Lula em atender pleitos do estado e buscará mostrar que sempre teve portas abertas em Brasília.
Não há na campanha de Lyra expectativa de que Lula declare apoio, mas os aliados apostam em um voto casado que já aparece na campanha em camisas e bandeiras vermelhas, cor do PT, e roxas.
A fim de escapar de uma disputa nacional,a governadora tenta destacar o aspecto regional do pleito.
Na Paraíba, a disputa pelo apoio de Lula é ao Senado.
O candidato do presidente ao governo é Lucas Ribeiro (PP), que tenta a reeleição, com o ex-governador João Azevedo (PSB) e Nabor Wanderley (Republicanos) concorrendo ao Senado.
Na última semana, Ribeiro e Azevedo gravaram em Brasília com Lula.
Antes disso, o presidente já havia gravado, em julho, um vídeo declarando apoio a Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que tentará se reeleger.
Veneziano está na chapa do candidato do MDB ao governo, Cícero Lucena, que tentou ter apoio do PT, mas perdeu a aliança.
Pai do deputado Hugo Motta (Republicanos), presidente da Câmara, Nabor ficou fora da lista, o que gerou incômodo no filho— que, apesar disso, declarou voto em Lula.
— É como se Lula tivesse três candidatos ao Senado: dois na nossa chapa e um na chapa de oposição.
Eu diria que é um bom problema para Lula — afirmou Azevedo.
Onde Lula já foi fazer campanha
Arte O Globo
Já no Maranhão, um racha no grupo que venceu a disputa em 2022 mudou o cenário.
O PT lançou o vice-governador Felipe Camarão, depois que as negociações com o grupo do governador Carlos Brandão (MDB) não avançaram.
Camarão, no entanto, enfrenta resistências frente ao favoritismo de Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís, e de Orleans Brandão (MDB), sobrinho do atual governador.
Disputa entre aliados
Orleans faz campanha usando o nome de Lula.
Com apoio do tio, usa o discurso de que os resultados da gestão de Brandão ocorreram em parceria com o governo federal.
Orleans foi secretário de Assuntos Municipalistas e conta com apoio inclusive de alas do PT.
— Vamos trabalhar divulgando as parcerias que o Lula tem com o Maranhão, pedindo voto e firme no compromisso de dar a ele votação mais expressiva do que nas eleições anteriores — diz Orleans.
Também na disputa ao governo, Braide, por sua vez, marca uma distância maior do pleito nacional e tenta fisgar também o eleitorado de direita.
Ele, no entanto, tem na chapa como candidato ao Senado André Fufuca (PP), que foi ministro do Esporte de Lula e defende o voto no presidente.
Desde o início da campanha, Lula já visitou cinco estados e realizou atos eleitorais em quatro: São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Lula evita estados em que mais de um candidato disputam seu apoio para reduzir atritos na campanha à reeleição
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