Lula, Flávio, crime e ensino aparecem entre palavras mais mencionadas no debate da Band - QTU Questões do Universo

Lula, Flávio, crime e ensino aparecem entre palavras mais mencionadas no debate da Band

Fonte: Bandeira da fonte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos candidatos à Presidência da República e à frente das pesquisas de intenção de voto, não compareceram ao debate da Band, realizado no último domingo, 23, mas foram os mais lembrados.
Lula e Flávio estão entre as 10 palavras mais mencionadas pelos presidenciáveis no encontro, assim como “ensino” e “crime”, segundo levantamento do Valor.

Quem mais mencionou a dupla foi o candidato Renan Santos (Missão), que abriu a linha de ataque desde a primeira fala e não economizou adjetivos como canalhas, criminosos e cadelas.
Ele criticou a ausência do petista e do senador, associando-os a escândalos de corrupção.
Chegou a dizer que ambos competem para ver quem é o mais corrupto.

Ao todo, o empresário e um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) citou Lula 27 vezes e Flávio outras 20.
Os nomes vinham associados ao Mensalão, à investigação do filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suposto tráfico de influência, ao inquérito das rachadinhas no gabinete de Flávio e ao financiamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme "Dark Horse", sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Não estão vindo aqui porque não têm coragem de falar sobre os crimes que cometeram”, afirmou.

Crime organizado também foi um dos termos mais usados por Renan.
No primeiro dia de seu governo, ele prometeu um “banho de sangue” contra membros de facções criminosas, construção de “superpresídios” e a declaração do Estado de Defesa e Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em Estados que diz estarem comandados pelo crime, com intervenção federal no Ceará e em outros Estados do Nordeste em que há “governos desse cara aqui [apontando para o púlpito do Lula]”.

Segurança é inclusive uma das palavras mais mencionadas pelo candidato Ronaldo Caiado (PSD), usada 12 vezes, assim como Goiás, repetida 9 vezes.
O ex-governador do Estado relembrou feitos de sua gestão e prometeu combater o crime organizado com uso de inteligência artificial e que indicaria o promotor de Justiça Lincoln Gakiya como ministro da Segurança, se eleito presidente.

Caiado também afirmou que “confiscaria os bens de todos os faccionados”, faria a integração das forças policiais e ainda declararia as facções criminosas no Brasil como terroristas.
“Vamos devolver o Brasil aos brasileiros e bem”, disse, no debate.

Enquanto crime esteve entre as 10 palavras mais usadas por Caiado e Renan Santos, ensino esteve mais presente no vocabulário de Augusto Cury (Avante) - foi a segunda palavra mais mencionada, seguida de polícia, repetidas 10 e 11 vezes, respectivamente.
O candidato defendeu maior investimento em ensino técnico e afirmou que é preciso “repaginar os currículos do ensino fundamental”, inserindo aulas de empreendedorismo, gestão financeira, oratória e esporte.

Sobre segurança, Cury destacou a valorização da Polícia Federal (PF) e sugeriu que a instituição fosse usada para treinar outras polícias nos municípios, integrando as forças.

O debate da Band foi o primeiro desde o início da campanha presidencial.
Além de Lula e Flávio, o candidato Romeu Zema (Novo) foi convidado, mas também não compareceu alegando que, com a ausência de candidatos, a data "perdeu o seu propósito inicial”.
Cury chegou a dizer que desistiria da participação no programa e causou um tumulto em frente à emissora, mas mudou de ideia.

Lula e Flávio permanecem na liderança da corrida ao Palácio do Planalto, segundo a última pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (21).
O candidato do PT tem 39% no primeiro turno, enquanto o do PL marca 33%.
Em eventual segundo turno entre eles, Lula registra 47%, ante 43% do adversário.
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos.

Completam o cenário de primeiro turno: Caiado, com 5%, Renan, com 4%, Zema, com 3%, e Cury, com 2%.
Outros postulantes marcaram 1% ou não pontuaram.
Votos em branco e nulos totalizam 6%, e indecisos são 4%.
Pablo Marçal (PRTB), que está inelegível, mas teve o nome testado em outro cenário, atingiu 2%.

Renato Pizzutto/Band