Depois de bloquear mais de R$ 4,3 bi do orçamento da Defesa neste ano, o presidente Lula prometeu buscar recursos para concluir o primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear.
O projeto foi apresentado nesta quarta-feira (19), no Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, no interior de São Paulo.
Lula afirmou que um programa dessa dimensão não pode ficar sujeito às mudanças de orçamento entre governos.
Em tom bem-humorado, pediu ajuda aos órgãos parceiros com quem dividia palanque para garantir os recursos necessários.
“Nós temos que colocar essa importância na discussão do orçamento.
A gente pode conversar mais com o BNDES, que pode nos ajudar com um pouco de recurso.
O BNDES é tão bondoso.
A gente pode ajudar a nossa máquina do petróleo a assumir um pouco de responsabilidade, portanto, que ele tem que ser prioridade.
Digo para vocês: eu volto para Brasília e vou dizer para vocês: nós vamos arrumar os recursos para que a gente termine, de uma vez por todas, esse submarino", declarou.
O evento foi fechado a funcionários do complexo e reuniu pouco mais de cem pessoas.
Lula brincou que havia fugido do roteiro durante o discurso e não fez menções à campanha eleitoral nem a adversários políticos.
O presidente classificou o submarino como um projeto de soberania e de importância geopolítica para a proteção do território brasileiro.
A embarcação terá propulsão nuclear, mas armamento convencional.
Lula lembrou que visitou o programa em 2007, quando foram anunciados investimentos superiores a R$ 1 bilhão, e criticou a falta de continuidade dos recursos desde então.
Em maio, o governo bloqueou R$ 4,363 bilhões do orçamento do Ministério da Defesa.
A pasta foi a mais atingida pela contenção de gastos para o cumprimento das metas fiscais.
O corte afetou projetos estratégicos e levou o Exército a suspender ações de monitoramento e combate a crimes nas fronteiras.
Durante a visita desta quarta, também foram apresentados projetos para ampliar o uso da tecnologia nuclear fora da área militar, como pequenos reatores para geração de energia em situações de calamidade.
