O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe na noite desta segunda-feira um grupo de empresários de destaque para um jantar no Palácio da Alvorada.
O objetivo do petista, que tenta a reeleição, é mostrar que tem diálogo com representantes do PIB.
Entre os participantes confirmados estão:
Josué Gomes, Coteminas
André Esteves, BTG
Luiz Carlos Trabuco, Bradesco
Rubens Ometto Silveira Mello, Cosan
Joesley Batista, JBS
José Seripieri Filho, Amil
Henrique Constantino, Gol Linhas Aéreas
André Gerdau Johannpeter, Gerdau
Rubens Menin, MRV Engenharia
Eraí Maggi, Grupo Bom Futuro
Fábio Ermírio de Moraes, Votorantim Cimentos
José Luís Cutrale Júnior, Cutrale
Chain Zaher, Grupo SEB
Roberto Setúbal, Itaú Unibanco
João Alves de Queiroz Filho, Hypera Pharma
Ricardo Lacerda, BR Partners
O jantar foi organizado pelo presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também está presente.
Também participaram do encontro os presidentes de bancos públicos Aloizio Mercadante, do BNDES; Tarciana Medeiras, do Banco do Brasil; e Carlos Vieira, da Caixa Econômica Federal.
A campanha chegou a pensar em uma alternativa ao Palácio da Alvorada para evitar o risco de representações eleitorais por parte de adversários com acusação de uso de prédio público para atividade eleitoral, mas decidiu realizar o encontro na residência oficial.
Aliados de Lula dizem que a reunião já estava marcada há dias e, por isso, negam que o jantar tenha sido organizado para dar uma resposta ao encontro de Flávio Bolsonaro (PL) com nomes da Faria Lima na quinta-feira, em São Paulo.
Um dos que estiveram com o candidato do PL e agora comparece ao jantar com Lula é Trabuco.
O presidente do Conselho do Bradesco foi um dos banqueiros que Lula recebeu com mais frequência para conversas reservadas e faz parte do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República, o “Conselhão”.
A colunista Bela Megalo informou que Lula sinalizou a pessoas próximas que mudará de postura em relação aos banqueiros que estiveram com Flávio e adotará um relacionamento mais protocolar e distante com nomes que o presidente antes considerava próximos e com bom trânsito.
O presidente tem tentado conter um clima de críticas de empresários, banqueiros e economista à sua política econômica, diante da preocupação crescendo com o cenário fiscal do país e com a trajetória da dívida pública, que passou da marca da 82% do PIB no atual governo — um aumento de 10 pontos percentuais ao longo do mandato.
O presidente escolheu Durigan, para ser o interlocutor econômico da campanha à reeleição.
Ele vem tendo reuniões com o mercado financeiro, economistas e formadores de opinião e reforçado as sinalizações de que o governo pretende ter maior contenção fiscal, em caso de vitória do petista.
Como mostrou O GLOBO, Durigan tem rebatido, em alguns encontros, a tese de que o país está à beira de um colapso fiscal, mas reconhece a necessidade de adoção de medidas para controlar, sobretudo, o crescimento das despesas obrigatórias.
Há uma orientação de Lula, porém, para evitar se comprometer com detalhes das propostas.
Além do temor sobre impactos políticos de eventuais medidas impopulares, há uma preocupação em deixar claro que há diversas opções em aberto, e o presidente ainda não definiu qual caminho trilhará nesse ajuste.
