O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta manhã da cerimônia em homenagem ao Dia do Soldado no quartel-general do Exército, em Brasília.
A ida representa mais um aceno aos militares, dentro de um contexto em que Lula tem prometido ampliar investimentos em defesa em um eventual novo mandato, apesar de os dados da execução do Orçamento mostrarem que ele desembolsou menos que o antecessor, Jair Bolsonaro.
— Hoje é dia para a gente de homenagear as Forças Armadas, o Exército.
A novidade foi que as primeiras mulheres participaram de um desfile militar.
Estão preparadas para mostrar que mulher pode estar em qualquer lugar.
É importante num instante da política em que a defesa entra como prioridade da política brasileira.
Defesa não pode ser uma coisa para quando sobrar dinheiro — disse Lula em rápido pronunciamento.
O presidente deixou o espaço onde fez a fala aos jornalistas sem responder se as suspeitas de tráfico de influência envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, atrapalham a campanha eleitoral.
O tema vem sendo usado pelo candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, seu principal opositor.
Também participaram do evento o ministro da Defesa, José Múcio, o comandante do Exército, Tomás Paiva, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte.
Gastos com Defesa
Os números sobre os investimentos em defesa, no entanto, mostram que Lula desembolsou 11% a menos no setor que seu antecessor, Jair Bolsonaro (PT).
Dados do sistema Siga Brasil mostram que entre 2023 e 2026, Lula reservou R$ 40,7 bilhões especificamente para investimentos nas Forças Armadas, frente a R$ 45,7 bilhões usados para investimentos nos quatro anos (2019 a 2022) do governo anterior.
Os dados dizem respeito ao total de recursos destinados a melhorias para Exército, Marinha e Aeronáutica.
Durante discurso na convenção nacional do PT, em São Paulo, no início do mês, em evento que chancelou sua candidatura à presidência, Lula falou da necessidade de priorizar o setor.
— A questão da defesa.
Quero pedir para a esquerda parar com essa bobagem, de achar que a gente não tem que ter preocupação com a defesa.
Esse país tem 16,8 mil quilômetros de fronteira seca, 8 mil quilômetros de fronteira marítima.
Esse país tem a maior floresta tropical do planeta.
Esse país tem 12% da água doce do mundo — disse — Nós precisamos investir na defesa — afirmou.
O presidente iniciou o terceiro mandato com relação tensionada com militares, especificamente após o 8 de janeiro, os ruídos arrefeceram em articulação interna do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro e Lula chegou a incluir um eixo de Defesa no Novo PAC para áreas estratégicas, em agosto 2023.
Na semana passada, em outra frente, ula afirmou que o governo vai buscar recursos para concluir o primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.
Durante visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), o petista criticou a falta de continuidade no financiamento de projetos estratégicos das Forças Armadas e defendeu que o empreendimento receba um tratamento diferenciado no Orçamento da União.
— Nós vamos arrumar os recursos para que a gente termine de uma vez por todas esse submarino.
Um submarino é importante para o Brasil, para a nossa soberania, para o nosso desenvolvimento tecnológico e para gerar emprego — disse o presidente.
Lula volta a defender investimentos em Defesa em cerimônia no QG do Exército: 'Defesa não é só para quando sobrar dinheiro'
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