Um macaco-prego protagonizou uma cena inusitada no Horto, na Zona Sul do Rio, na tarde desta quinta-feira (20).
O animal pulou a grade do Jardim Botânico, atravessou a rua e foi direto até uma lixeira instalada próxima a um poste.
Em seguida, subiu em uma carrocinha de um vendedor ambulante que comercializa cachorro-quente e hambúrguer e tentou alcançar os alimentos.
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A cena foi registrada pelo fotógrafo Dan Delmiro, que fez fotos e vídeos do momento.
Segundo o relato de Delmiro, que estava no local, toda a movimentação foi rápida: cerca de 15 minutos depois, o macaco atravessou novamente a rua e retornou para a área do Jardim Botânico.
A aparição chama atenção, mas não é um comportamento isolado na cidade.
Segundo Bruno Meurer, coordenador do curso de Ciências Biológicas da Universidade Santa Úrsula, os macacos-prego já fazem parte da rotina de alguns bairros do Rio próximos a áreas de floresta.
No inverno, a procura por alimentos em áreas urbanas tende a aumentar.
Isso acontece porque, com a redução da oferta de alimentos na floresta, os animais passam a explorar locais onde encontram comida com mais facilidade, como casas, apartamentos, áreas de piquenique e pontos de comércio.
— No inverno, a quantidade de alimento na floresta diminui.
Então, existe uma tendência de aumentar os eventos de macacos-prego procurando comida em apartamentos, nas casas das pessoas e nessas áreas comuns que as pessoas deixam alimentos — explica Meurer.
O problema é que o hábito pode se repetir.
Segundo o biólogo, quando encontram alimento com facilidade nas áreas urbanas, os animais aprendem a voltar a esses locais.
A oferta de comida por moradores e frequentadores também contribui para esse processo.
— Ao longo do ano, isso vira uma rotina também, porque eles aprendem a encontrar alimento com mais facilidade, principalmente para essas pessoas que dão comida para os animais selvagens — afirma.
Alerta para saúde de animais e pessoas
Mais do que mudar o comportamento dos macacos, a aproximação também pode trazer riscos sanitários.
Por isso, a recomendação é não alimentar animais silvestres e evitar qualquer contato próximo.
— Existem determinados patógenos do ser humano que podem matar o macaco-prego.
Por exemplo, o vírus da herpes humana mata os primatas porque eles não têm anticorpos para esse vírus.
E o contrário pode acontecer também.
Não deve haver, de maneira nenhuma, compartilhamento de alimento entre seres humanos e animais selvagens — alerta o biólogo.
O descarte correto dos alimentos também é uma das formas de diminuir a aproximação.
Lixeiras abertas ou que permitam o acesso dos animais acabam funcionando como fontes de alimento e podem estimular novas incursões.
— É importante ter o descarte correto do alimento, inclusive com lixeiras adequadas, onde eles não conseguem pegar o alimento — explica Meurer.
Segundo ele, estruturas desse tipo já são utilizadas na Floresta da Tijuca para impedir que animais tenham acesso aos resíduos.
O que fazer ao encontrar um macaco?
A orientação é não tentar pegar, tocar ou alimentar o animal.
Caso seja necessário um resgate, o procedimento deve ser feito por equipes especializadas e autorizadas pelos órgãos ambientais.
— Nunca se deve tentar pegar um animal selvagem.
Em caso de resgate, existem equipes que são treinadas para isso.
Pegar ou transportar um animal selvagem é crime ambiental.
Os profissionais autorizados para esse tipo de atendimento possuem licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) — afirma.
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