Mãe de jornalista sequestrado na Síria em 2012:

Mãe de jornalista sequestrado na Síria em 2012: 'Não tenho dúvidas de que ele ainda esteja vivo'

Fonte: Bandeira da fonte

Já se passaram 14 anos desde que o jornalista americano Austin Tice foi sequestrado na Síria enquanto documentava os horrores da repressão brutal do regime de Bashar al-Assad.
As últimas imagens dele o mostraram vendado numa área deserta.
Mas Debra, a mãe dele, entretanto, vive de uma certeza que 14 anos de ausência não foram capazes de dissipar:
"Meu filho Austin Tice desapareceu antes que surgisse um vídeo aterrorizante de terroristas.
Não tenho dúvidas de que ele ainda esteja vivo após 14 anos.
Não temos motivos para acreditar que ele não esteja vivo agora.
Tenho uma ligação muito forte com Deus e conheço outras mães cujos entes queridos não voltaram para casa.
E elas souberam quase imediatamente.
Eu nunca, jamais, tive esse momento.
Sempre acreditei que vamos vê-lo."
Austin trabalhava como freelancer para o jornal "The Washington Post" e a companhia de mídia dos EUA McClatchy quando entrou na Síria, em maio de 2012, e viajou por áreas controladas por rebeldes.
Faltavam poucos dias para ele deixar o país devastado pela guerra quando desapareceu, em 13 de agosto, ao passar por um posto de controle perto de Darayya, um subúrbio a sudoeste da capital, Damasco.
Informes de inteligência apontam que o americano foi capturado por milícia aliada de Assad.
Após sete semanas de agonia e silêncio, surgiu um vídeo que mostrava Austin — visivelmente angustiado, de olhos vendados e com as mãos amarradas — sendo conduzido por seus captores armados com fuzis.
Era possível ouvi-los gritando "Allahu Akbar" (Deus é maior, em árabe) antes de Austin ser forçado a recitar uma oração islâmica em árabe.
Depois disso, nada surgiu mostrando Austin vivo.
Relatos divergentes indicam que o jornalista, que era veterano do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, está vivo numa cela em algum lugar da Síria ou de país vizinho, enquanto outros afirmam que ele foi morto há muitos anos.
Austin Tice com a mãe, Debra
Reprodução
Debra considera apenas a primeira hipótese.
Apesar do vídeo e de outras sinais que, segundo a família, sugerem que ele possa estar vivo, o governo sírio tem negado sistematicamente mantê-lo sob custódia, o que complica os esforços para garantir sua "libertação".
Debra acredita que a melhor chance que o governo dos EUA teve de trazer o filho para casa foi nos meses iniciais após o sequestro.
"O que tornou tudo mais difícil foi descobrir que trazer o Austin para casa teria sido mais fácil naquela fase inicial, e isso foi simplesmente ignorado.
E ter a absoluta certeza de que isso é verdade é o que torna a situação ainda pior.
Ele poderia ter voltado para casa antes do Natal de 2012", desabafou a mãe.
Embora o governo sírio tenha negado o cativeiro por anos, investigações baseadas em documentos confidenciais revelados após a queda do regime de Assad, em dezembro de 2024, comprovaram que Tice foi capturado e mantido em prisões da inteligência estatal síria.
O ditador ganhou asilo político da Rússia, sua antiga aliada.