Maior operadora de portos da Malásia defende nomeação de executivo ligado a Epstein após polêmica - QTU Questões do Universo

Maior operadora de portos da Malásia defende nomeação de executivo ligado a Epstein após polêmica

Fonte: Bandeira da fonte

A MMC Corporation, controladora da maior operadora portuária da Malásia, defendeu em memorando interno a nomeação de Sultan Ahmed bin Sulayem como presidente de sua unidade portuária, destacando sua experiência e histórico de sucesso, após uma onda de indignação pública devido a supostos vínculos do executivo com Jeffrey Epstein.
O memorando, obtido pela Reuters, foi enviado aos funcionários pelo diretor-presidente da MMC Corporation.
O texto afirma que a indicação do emiradense Bin Sulayem para a MMC Ports está alinhada à missão da empresa controladora de elevar seus negócios aos padrões internacionais de excelência e competitividade.

A Reuters noticiou com exclusividade em julho que Bin Sulayem assumiria o controle da MMC Ports, cinco meses após sua renúncia da DP World, de Dubai, em meio a escrutínio sobre suas supostas ligações com o financista Epstein, um agressor sexual condenado que morreu em uma cela de prisão em 2019.

A MMC Ports opera sete portos ao longo do Estreito de Malaca, uma das rotas de navegação mais movimentadas do mundo.

A nomeação levantou questões sobre governança em uma empresa que controla o acesso a um dos corredores marítimos mais vitais do mundo.
O plano de abertura de capital da MMC Ports, que poderia ser o maior da Malásia em mais de uma década, foi paralisado.

“Ele traz consigo um histórico comprovado de impulsão de crescimento, aprimoramento da excelência operacional e estabelecimento de parcerias internacionais estratégicas”, afirmou o diretor-presidente, Nazrul Mansor, no memorando, sem mencionar as preocupações levantadas sobre os laços de Bin Sulayem com Epstein.

Com a nomeação, a MMC Ports fortalecerá progressivamente sua organização, incluindo o estabelecimento de uma nova equipe de alta gestão, acrescentou Nazrul.

Não ficou imediatamente claro quando o memorando, que estava sem data, foi emitido.
Um porta-voz da MMC Corp e de suas empresas não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado por e-mail.

Documentos publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sugerem uma relação próxima entre Bin Sulayem e Epstein por mais de uma década após a condenação do falecido financista em 2008 por acusações de prostituição envolvendo uma menor de idade.

A Reuters não pôde verificar de forma independente as alegações contidas nos arquivos.
O fato de ter o nome citado nos documentos não constitui evidência de atividade criminosa.

Bin Sulayem não comentou publicamente sobre quaisquer ligações com Epstein e não pôde ser encontrado para comentar.

A nomeação de Bin Sulayem para a MMC Ports gerou indignação nas redes sociais, com muitos usuários questionando sua adequação ao cargo.

Um grupo de 31 organizações da sociedade civil também instou o magnata bilionário malaio Syed Mokhtar Al-Bukhary, que detém uma participação controladora na MMC Corp, a revogar a nomeação, citando riscos geopolíticos e financeiros.

O ministro dos Transportes da Malásia afirmou no mês passado, em resposta à nomeação, que o governo não pode interferir na gestão de empresas privadas, declarando que só pode regular as estruturas acionárias das companhias.
Os contratos de concessão da MMC Ports exigem que a empresa seja controlada em pelo menos 51% por acionistas malaios.

Nazrul, da MMC, disse no memorando que a MMC Ports é uma unidade 100% pertencente à MMC Corp e que sempre “permanecerá como uma empresa malaia, guiada por valores malaios, servindo aos interesses malaios, enquanto compete com confiança no cenário global”.

Esperava-se que a MMC Ports buscasse o que poderia ser o maior IPO da Malásia em mais de uma década no ano passado, mas a Reuters informou em outubro que a empresa havia adiado a listagem planejada.

O jornal malaio The Edge relatou nesta quinta-feira (20), citando fontes, que a MMC Corp havia instruído seus assessores a interromperem completamente o processo de listagem.
A Reuters não conseguiu verificar imediatamente o relatório.

Bin Sulayem e o falecido financista e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein
Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes/Divulgação via Reuters/Foto de Arquivo