Cantar no próximo Rock in Rio não será uma experiência inédita para Major RD.
O que não quer dizer que esta edição não tenha um gostinho ainda mais especial.
Nas duas primeiras vezes, o rapper foi segunda voz de Xamã.
Na terceira, se apresentou sozinho no palco Supernova.
Agora, o artista que é cria do Vilar Carioca, em Inhoaíba, na Zona Oeste, fará um show inédito no Espaço Favela.
O frio na barriga, diz ele, é grande, principalmente porque estar no festival era um sonho de infância.
— Vi os maiores cantores de rock, rap e pop no festival quando eu era pequeno.
Hoje, conseguir ocupar o Espaço Favela com meu show é uma realização pessoal imensa, e uma responsabilidade — reforça o músico, que encerra as atividades do Espaço Favela no sábado, dia 5 de setembro, completando: — Nunca fui no Rock in Rio como público, acompanhava tudo pela TV, meu pai sempre foi fã de rock.
Nunca imaginei estar nesses palcos, ainda mais várias vezes.
A ficha ainda não cai, sabe?
Depois de se apresentar no festival, Major RD diz que sua visibilidade aumentou: deu entrevistas para grandes veículos e viu gente que nem sabia quem ele era conhecer o seu som.
No streaming, suas músicas têm milhões de plays e, na carreira, ele já colaborou com MC Cabelinho, MV Bill, Racionais MC’s, entre outros.
Apesar do sucesso, ele não esquece suas raízes:
— Ocupar esse espaço é gratificante porque as crianças olham para mim como exemplo.
Olham para o meu carro, meu tênis e querem ser assim quando crescerem.
Eu consegui tudo com o rap.
Hoje eu tenho a oportunidade de mostrar para essas crianças que na favela tem cultura, arte, que é possível vencer na vida fazendo a coisa certa.
Eu posso ser uma referência positiva dentro da comunidade.
Pai e mãe vão junto com o sucesso
Cristina e Ronaldo, os pais do cantor, estarão no festival para apoiar e vibrar com mais uma realização da carreira do filho.
— Carrego eles comigo sempre que posso, faz parte da minha criação termos essa boa relação.
Os dois são casados até hoje, e eu sou filho único — conta o cantor de 29 anos.
Major RD hoje não mora mais na comunidade da Zona Oeste, mas vive voltando para visitar a família e para reencontrar os amigos na região.
Ele diz:
— Meus pais não quiseram sair da favela.
Dizem: “Estamos bem aqui, não vamos sair”.
Eu gostaria muito de continuar morando no mesmo lugar.
Ainda vou direto, durmo, vou aos festivais de pipa, jogar bola nos campinhos...
Mas, às vezes, é complicado.
A galera já entendeu onde eu moro, aí batem no portão.
Querem tirar foto, tudo bem.
Mas por segurança da minha própria família, achei melhor sair.
Hoje eu moro mais longe, mas é sempre fácil me encontrar no Vilar Carioca.
Quase jogador
“Fui jogador de futebol nas categorias de base, dos 9 até os 18 anos.
Comecei a cantar por aí, não era um sonho.
Era uma realidade distante ser músico vindo da comunidade.
Ter estúdio para gravar era complicado, os equipamentos eram caros.
Tive problema na Justiça, fui trabalhar num mercadinho para pagar e comecei a rimar.
Até que me disseram: “Por que você não vai para as batalhas de rima?”.
Foi quando me encantei.
Eu e a música nos encontramos”, relembra.
Show com banda
“No Espaço Favela, vou levar uma banda, algo diferente de tudo que eu já fiz na carreira.
Estaremos eu e meus grandes músicos, que são, inclusive, mais experientes do que eu.
Está sendo muito legal aprender com eles.
Faremos um showzão”, adianta Major RD.
Plateia especial
“Queria muito levar minha filha, mas o show vai ser tarde e ela é muito pequenininha para isso.
Mas levarei minha namorada, que nunca foi, nunca viu de perto.
Será uma noite especial”, empolga-se o músico.
Major RD relembra a trajetória até o Rock in Rio e celebra ser referência para crianças da comunidade onde cresceu: 'Olham como exemplo'
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