Maria Fernanda Cândido lembra

Maria Fernanda Cândido lembra 'O agente secreto' e reflete sobre interesse em Clarice Lispector: 'Nosso maior expoente'

Fonte: Bandeira da fonte

Um dia após subir ao palco do Palácio dos Festivais para receber o troféu Kikito de Cristal, em homenagem por sua contribuição ao cinema brasileiro e internacional, a atriz Maria Fernanda Cândido se reuniu com a imprensa para uma coletiva sobre sua trajetória no audiovisual.
'Nosso segredo': Em Gramado, Grace Passô estreia na direção de longas e defende um cinema negro focado mais em sentimentos do que temas
Enzo Celulari: 'Me orgulho de ser filho dos meus pais, mas senti que era importante construir minha própria história'
— Uma homenagem é o reconhecimento de um trabalho realizado e de alguma forma te diz que aquela trajetória foi relevante.
Foi um momento muito especial e acabei fazendo uma retrospectiva pessoal sobre os meus passos, sobre minhas escolhas — afirmou Maria Fernanda.
— Foram tantos trabalhos no cinema, no teatro e a televisão.
Fiz tantas coisas das quais me orgulho.
Nascida no Paraná, a atriz de 52 anos tem relação antiga com o festival realizado na Serra Gaúcha.
Em 2003, ela recebeu o Kikito de melhor atriz pelo trabalho em “Dom”.
Em 2025, Maria Fernanda atuou no consagrado “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que recebeu quatro indicações ao Oscar, além de dois prêmios no Globo de Ouro.
— Conheci o Kleber do Festival de Cannes de 2019.
Eu estava lançando “O traidor” e ele “Bacurau”.
Ele foi na festa do nosso filme.
Dançamos, conversamos muito, e anos depois ele me disse que começou a pensar em mim para o papel da Elza — contou a atriz.
No cinema, a atriz também participou de obras marcantes como “A paixão segundo G.H.”, de Luís Fernando Carvalho, e “Sal de prata”, de Carlos Gerbase.
Ela também participou de obras internacionais como “O traidor”, de Marco Bellocchio, e “Animais fantásticos: Os segredos de Dumbledore”, de David Yates.
— Uma experiência extraordinária (trabalhar no universo “Harry Potter”).
Um filme de orçamento de U$S 250 milhões.
Eu, acostumada com filmes independentes.
Mas me vi tendo que brincar, quase como criança.
Porque eu interagia com um animal que não estava lá — lembrou a atriz sobre “Os segredos de Dumbledore.
— Eu conhecia o universo de “Harry Potter”, mas só senti na pele o tamanho quando entrei para o projeto.
Quando o filme foi lançado, recebi cartas do mundo inteiro.
Olhando para suas escolhas, Maria Fernanda destacou a importância da literatura em sua vida, o que a levou a trabalhar em várias adaptações de nomes como Machado de Assis e Clarice Lispector.
— Clarice, para nós brasileiros, é o nosso maior expoente.
É a mulher mais importante da nossa literatura.
Temos visto o mundo se apaixonando por Clarice.
Uma vez que você entra em contato, é muito difícil você não sofrer o impacto que ela impõe.
É um material que reverbera muito em você — disse a atriz.
O repórter viajou a convite do Festival de Cinema de Gramado