Médias se destacam por velocidade de adaptação e capacidade de se reinventar, diz Antonio Batista, da FDC - QTU Questões do Universo

Médias se destacam por velocidade de adaptação e capacidade de se reinventar, diz Antonio Batista, da FDC

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Em um cenário global marcado por incertezas decorrentes das transformações aceleradas pela inteligência artificial, pela transição energética e por reorganizações geopolíticas, as empresas de médio porte enfrentam o desafio de equilibrar a operação com a agilidade necessária para a reinvenção.
Mas o médio porte pode ter uma vantagem nesse cenário por conseguir combinar escala para gerar impacto e velocidade de adaptação, experiência acumulada e capacidade de reinvenção, afirmou Antonio Batista, presidente-executivo da Fundação Dom Cabral (FDC), durante a abertura da 11ª edição do Fórum Anual das Médias Empresas, em São Paulo.

“Média empresa é justamente a ponte entre a capacidade para empregar da grande empresa com a capilaridade e a velocidade da pequena.
Vocês têm uma combinação rara: escala para gerar impacto e velocidade para se adaptar, experiência acumulada e capacidade de reinvenção”, ressaltou Batista.

Na visão do presidente executivo da Fundação Dom Cabral, as médias empresas vivem uma realidade distinta das grandes corporações.
Enquanto as grandes empresas operam a partir de estruturas consolidadas, as médias precisam crescer e se transformar ao mesmo tempo, decidir quem querem ser no mundo que está emergindo, diz Batista.

De acordo com Batista, existem cerca de 70 mil empresas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 500 milhões.
O executivo acrescentou que as empresas do middle market, segmento de médio porte, são um vetor importante de empregos qualificados.

No cenário de incertezas e transformações no ambiente digital cada vez mais aceleradas, ter capacidade de investir em suporte tecnológico, não é suficiente.
É preciso ter lideranças que consigam aproveitar o melhor da tecnologia para tornar decisões mais estratégicas.
Roberto Sagot, diretor de desenvolvimento de médias empresas da FDC, enfatizou que o valor da liderança se manifesta justamente onde os processos falham.
“A liderança não serve para seguir um processo, porque, se os processos forem perfeitos, basta seguir o procedimento operacional.
Na verdade, a liderança entra na quebra, a liderança entra na falta”, disse.

Embora redes de líderes ajudem a aumentar o repertório e a probabilidade de acerto, Sagot destacou que o momento da escolha é solitário.
“Ele é indelegável.
O papel de uma escola como a Fundação Dom Cabral é justamente esse, é formar esse líder, é informar este líder, é colocar estes líderes em rede, de maneira que a gente faça o melhor trabalho possível”, acrescentou.

O papel da liderança nos momentos de maior incerteza também foi destacado pelos curadores do evento, os professores Erick Krulikowski, Diego Marconatto e Adriano Amui.
Na avaliação desses especialistas, a capacidade de decidir em cenários de incerteza é a competência mais valiosa do líder atual.

No ritmo do sucesso do negócio
As apresentações do primeiro dia do fórum foram entremeadas pelo show de uma banda de jazz, na qual Krulikowski toca teclado.
O professor e músico teceu analogias entre a organização de concertos musicais e a orquestração dos negócios.
Krulikowski explicou que a dinâmica de uma banda reflete a necessidade de entrosamento e adaptação constante.

“A música é um laboratório de tomar decisões.
O pensamento da música nos habilita a tomar decisões em tempo real dentro de uma estrutura doida”, disse Krulikowski.
No caso de empresas longevas, a experiência da liderança é vital.
“É o que permite que, quando há grandes imprevistos, se tome decisões competentes para que a música continue.
Porque a música não pode parar", afirmou.
Amui citou um concerto em que Keith Jarrett tocou piano quebrado, lidando com adaptação e controle ante limitações, para ilustrar o desafio empresarial.
“Se a gente ficar paralisado e sentado e refletindo sobre a decisão, nós estamos perdendo tempo”, avaliou.
Para Amui, a solução para os impasses corporativos não reside apenas nos dados, mas em uma equação equilibrada.
“A solução não está só no método analítico, e também não está somente no seu instinto.
Excesso de análise paralisa e excesso de instinto é coragem.
É uma combinação”, afirmou.
Marconatto ressaltou que o improviso está associado à competência técnica e não ao acaso.
“Improviso só dá certo se você for bom; se não, é sorte.
Improvisar é um imprevisto dentro do previsto”.
O professor observou ainda que a baixa mortalidade das médias empresas no Brasil — em torno de 2%, segundo suas estimativas — é fruto de gestores que "tocam nota após nota" por décadas.
Os curadores do evento também destacaram que a superação do microgerenciamento é fundamental.
As empresas de melhor performance são aquelas em que o gestor principal consegue se descolar da operação e realmente senta na cadeira de estrategista.

Essa transição exige o que os especialistas chamam de segurança psicológica.
Pesquisas da FDC indicam que a centralização e o controle excessivo, especialmente em empresas familiares, podem reduzir o desempenho da operação.
“Quando o controle é excessivo, particularmente em empresas familiares, o que ocorre é diminuição de performance.
As pessoas precisam ter liberdade e se sentirem à vontade para darem suas opiniões e compartilharem decisões”, disse Marconatto.