A AstraZeneca afirmou nesta quinta-feira (27) que seu medicamento para asma Tezspire atingiu os principais objetivos de um estudo de fase avançada em pacientes com um distúrbio inflamatório crônico do esôfago, trazendo uma boa notícia para a companhia após uma série de reveses em seu portfólio de medicamentos em desenvolvimento.
O estudo mostrou que o Tezspire, desenvolvido em parceria com a Amgen, reduziu significativamente a inflamação no esôfago e aliviou a dificuldade para engolir em comparação com placebo em pacientes com esofagite eosinofílica, doença que afeta mais de 470 mil pessoas nos Estados Unidos.
O diretor-presidente, Pascal Soriot, está conduzindo a AstraZeneca rumo à meta de alcançar US$ 80 bilhões em vendas anuais até 2030, contando com até 20 lançamentos de novos medicamentos, enquanto a companhia lida com vencimentos de patentes e desafios geopolíticos.
Mas a farmacêutica sofreu vários reveses recentes.
Em julho, o Wainua falhou inesperadamente em um estudo para doença cardíaca, enquanto um estudo de fase avançada do medicamento Ultomiris, para doença rara, também fracassou.
Em maio, um painel regulatório dos Estados Unidos rejeitou o medicamento camizestrant, para câncer de mama, por questões relacionadas ao desenho do estudo.
A AstraZeneca também interrompeu neste mês um estudo avançado do medicamento experimental volrustomig, para câncer de pulmão, depois que um comitê responsável pelo acompanhamento do estudo afirmou que era improvável que ele atingisse seu principal objetivo.
As ações da companhia acumulam queda de 14% desde o fracasso do estudo do Wainua.
Embora os resultados do Tezspire tenham sido animadores, os investidores continuam concentrados nos próximos resultados de dois estudos sobre câncer, considerados cruciais para o portfólio de medicamentos em desenvolvimento da AstraZeneca e para aliviar a pressão sobre as ações.
O Tezspire é um anticorpo monoclonal que bloqueia uma proteína conhecida como TSLP, capaz de desencadear inflamação em doenças impulsionadas por eosinófilos, um tipo de glóbulo branco, além da asma grave.
O medicamento já é aprovado nos Estados Unidos, na União Europeia e em outros países como tratamento complementar para asma grave e concorre com o Dupixent, medicamento de grande sucesso comercial da Sanofi e da Regeneron.
O Tezspire gerou US$ 1,13 bilhão em vendas para a AstraZeneca em 2025.
O medicamento já é aprovado nos Estados Unidos, na União Europeia e em outros países como tratamento complementar para asma grave
Jason Alden/Bloomberg
