A morte de um adolescente de 13 anos na Itália reacendeu o debate sobre os riscos do consumo de alimentos contaminados e de produtos feitos com leite cru.
Mattia Maestri morreu neste domingo (2), após passar nove anos em coma em decorrência de uma infecção por Escherichia coli produtora de toxina Shiga (STEC), contraída em 2017, quando tinha apenas quatro anos, ao consumir um pedaço de queijo de leite cru da marca Due Laghi.
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Segundo as investigações, a bactéria desencadeou a síndrome hemolítico-urêmica (SHU), complicação grave que pode provocar insuficiência renal e que atinge com maior frequência crianças pequenas.
Após piorar rapidamente, Mattia foi transferido para um hospital em Trento, no norte da Itália, onde permaneceu em estado vegetativo e passou a depender de cuidados permanentes.
Caso levou à condenação de produtores
Após uma longa disputa judicial, dois responsáveis pelo laticínio que produziu o queijo foram condenados por causar lesões corporais graves.
O funeral de Mattia ocorreu na segunda-feira (4), em Coredo, vila localizada no norte do país.
Em uma mensagem divulgada após a morte do filho, o pai, Giovanni Battista Maestri, agradeceu o apoio recebido ao longo dos anos.
— Nosso Mattia nos deixou e, em nome dele, agradeço a todos por contribuírem para tornar sua partida menos dolorosa.
Depois do adoecimento do filho, Giovanni fundou um grupo de defesa do consumidor e publicou um livro para alertar famílias sobre os riscos associados ao consumo de laticínios não pasteurizados.
De acordo com a Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido (UKHSA), a STEC é altamente infecciosa, e a ingestão de poucas bactérias já pode causar doença.
A transmissão ocorre principalmente por alimentos contaminados, como vegetais crus mal higienizados, carne malcozida e produtos feitos com leite cru, além do contato com animais infectados, água contaminada ou pessoas doentes.
Os sintomas incluem vômitos, febre, cólicas e diarreia, podendo evoluir para a síndrome hemolítico-urêmica, especialmente em crianças menores de cinco anos, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido.
O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) orienta que casos de diarreia com sangue, vômitos persistentes ou sinais de desidratação sejam avaliados imediatamente por um serviço de saúde.
