O mercado ilegal chegou a movimentar quase meio trilhão de reais no ano passado.
As perdas foram calculadas em R$ 473 bilhões, valor 64% superior ao registrado cinco anos antes e equivalente a quase 4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP).
Diante do avanço de práticas como contrabando, falsificação e sonegação, O GLOBO, Valor Econômico, Extra e CBN lançam um projeto especial para dimensionar os impactos da economia ilegal e os desafios para combatê-la.
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Ao longo dos próximos seis meses, a iniciativa reunirá reportagens, conteúdos especiais, um seminário em Brasília e uma campanha de conscientização.
O objetivo é ampliar o debate sobre um problema que provoca concorrência desleal, reduz a arrecadação de impostos, fortalece redes criminosas e coloca em risco a saúde e a segurança dos consumidores.
A cobertura será dividida em três eixos: contrabando, sonegação e adulteração, e falsificação.
Segundo levantamento do Instituto Ipsos Ipec, as facções criminosas fizeram circular, em 2025, cerca de 32 bilhões de cigarros ilegais no Brasil, movimentando R$ 10 bilhões.
A evasão fiscal chegou a R$ 8,5 bilhões.
Já a sonegação e a adulteração afetam mercados como o de combustíveis, enquanto a falsificação atinge medicamentos, cosméticos, defensivos agrícolas, bebidas e produtos de luxo.
Segundo o presidente do FNCP, Edson Vismona, trata-se de um “problema estrutural” que vai muito além dos impactos econômicos.
— São esquemas que alimentam o caixa das facções, sustentam estruturas armadas, viabilizam a expansão de suas operações e reforçam o controle territorial em diversas regiões do país.
Por isso, para combater esse tipo de crime, é necessária a integração e a cooperação entre as diversas instâncias do poder público, com a colaboração dos setores produtivos, fortalecendo ações de fiscalização sistêmicas, coordenadas e permanentes.
O projeto também abordará redes clandestinas de serviços digitais e os chamados “gatos”, frequentemente associados ao crime organizado.
Além das reportagens publicadas durante seis meses, em 27 de agosto acontece em Brasília, um seminário presencial, com transmissão e cobertura em tempo real para debater quais são as falhas institucionais que permitem o avanço da economia ilegal no Brasil e, por outro lado, quais soluções podem ser implementadas para combater essa situação.
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As discussões vão buscar identificar caminhos para promover um ambiente econômico mais estável com redução da pirataria, ampliação da arrecadação, proteção dos consumidores e incentivo da atuação e competitividade de empresas que operam dentro da lei.
Estão previstas as presenças de representantes do setor produtivo, de órgãos públicos, empresas, especialistas, acadêmicos, parlamentares e integrantes do Judiciário.
O combate ao mercado ilegal ainda esbarra na fragmentação dos órgãos de fiscalização, na extensão das fronteiras, nas novas formas de pirataria e em lacunas regulatórias.
Especialistas avaliam que, ao contrário de países como Estados Unidos e Reino Unido, o Brasil ainda carece de maior integração entre governo e setor privado.
Para especialistas, uma resposta eficaz exige atuação conjunta de governo, empresas, Judiciário e sociedade, combinando fiscalização, atualização regulatória, tecnologia e conscientização.
Além da cobertura jornalística, o projeto contará com campanha publicitária nas versões impressa e digital de O GLOBO, Valor Econômico e Extra, na CBN e em publicações segmentadas da Editora Globo.
Também haverá divulgação em plataformas digitais e redes sociais para ampliar o alcance do debate e informar a população sobre os impactos da economia ilegal.
O projeto Mercado Ilegal é uma realização dos jornais O GLOBO, Valor Econômico e Extra e da rádio CBN com patrocínio da Philip Morris Brasil e do Instituto Combustível Legal.
