A Meta divulgou, na última quarta-feira (29), os resultados da companhia no segundo trimestre.
Os dados combinam crescimento de receita com queda expressiva no lucro da empresa, pressionada pelo ritmo de investimentos em inteligência artificial.
A receita somou US$ 60,8 bilhões, alta de 28% comparada ao mesmo período do ano passado, enquanto os custos subiram 55%, para US$ 42 bilhões.
Sendo assim, o lucro líquido caiu 14%, para US$ 18,3 bilhões, de acordo com o New York Times.
A empresa também elevou o piso da previsão de investimento em infraestrutura para este ano, de US$ 125 bilhões para US$ 130 bilhões, mantendo o teto em US$ 145 bilhões — a maior parte destinada à construção de data centers.
Segundo o Wall Street Journal, nem a Meta nem a Alphabet (dona do Google) e a Microsoft, que também divulgaram balanços na mesma semana, informaram uma projeção de gastos para 2027.
Reação do mercado
As ações da Meta caíram até 10% nas negociações após o pregão regular, o equivalente a mais de US$ 140 bilhões em valor de mercado.
A repercussão negativa contrasta com o desempenho da Microsoft, cujos papéis subiram 9% depois de a empresa anunciar aceleração na receita do seu serviço de nuvem, o Azure.
Analistas ouvidos pelo WSJ atribuíram a queda à ausência de novidades sobre como a Meta pretende transformar sua capacidade computacional excedente em receita — seja revendendo poder de processamento, seja oferecendo ferramentas de IA para empresas.
"Esperávamos alguma informação sobre a revenda de capacidade excedente, mas não veio nada novo", disse Mark Mahaney, diretor administrativo da Evercore ISI, ao jornal.
Brent Thill, analista da Jefferies, resumiu a teleconferência de resultados como um pedido de confiança sem números que o sustentassem.
A Meta evitou, por pouco, entrar em fluxo de caixa livre negativo pela primeira vez desde 2012: fechou o trimestre com US$ 784 milhões positivos, montante bem inferior aos US$ 12,4 bilhões do trimestre anterior.
O Google já havia registrado fluxo de caixa negativo na semana anterior, o que já havia derrubado suas ações em 7%.
Em meio às perguntas de analistas sobre planos de venda de capacidade computacional, Zuckerberg respondeu de forma genérica, mencionando "diversas ofertas com prêmio significativo sobre o que pagamos pela capacidade", sem citar clientes ou prazos.
Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta
Getty Images
Ele defendeu que a aposta da Meta é vender "inteligência" — ou seja, modelos e aplicativos prontos — em vez de apenas revender poder computacional bruto, argumentando que essa estratégia deve gerar margens maiores no longo prazo.
Zuckerberg mira concorrentes
Paralelamente à divulgação de resultados, Zuckerberg reforçou publicamente uma crítica que já vinha fazendo a rivais do setor.
Em entrevista ao New York Times publicada na terça-feira (28), o executivo afirmou que o modelo de desenvolvimento de IA adotado por Anthropic e OpenAI, de controle mais restrito sobre os modelos, representa risco de concentração de poder e pode travar a inovação no setor.
Sem citar as duas empresas nominalmente, disse que o discurso predominante entre outros laboratórios está "tomado por catastrofismo" e defendeu mais vozes que tragam "realismo" ao debate.
Zuckerberg também rebateu a tese de que seria possível construir uma única IA "benevolente" alinhada a toda a humanidade, chamando essa ideia de "impossível" dado que pessoas têm valores diferentes.
Como alternativa, voltou a defender o conceito de "superinteligência pessoal", com sistemas configuráveis conforme as necessidades de cada usuário.
A declaração é uma resposta indireta a executivos como Dario Amodei, da Anthropic, que tem apontado riscos de alinhamento como justificativa para controles mais rígidos sobre modelos de IA.
Dario Amodei, fundador e CEO da Anthropic
Samyukta Lakshmi/Bloomberg via Getty Images
A postura da Meta em relação a código aberto oscilou nos últimos anos.
Depois de ficar para trás na corrida por IA, a empresa investiu US$ 14,3 bilhões na ScaleAI e contratou o fundador da startup, Alexandr Wang, para reestruturar sua divisão de IA, rebatizada de Meta Superintelligence Labs.
Sob Wang, a empresa passou a desenvolver também modelos fechados — caso do Muse Spark, lançado comercialmente este mês, que segundo o NYT ainda fica atrás de concorrentes em testes de programação, raciocínio e escrita.
Um modelo mais avançado, batizado internamente de Watermelon, está previsto para ser lançado nos próximos meses.
*Com supervisão de
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