A Microsoft ficou satisfeita com a aprovação do Redata, que garante incentivos de R$ 7,5 bilhões para o setor de data centers.
O texto foi aprovado no Senado na quarta (2) segue para sanção presidencial.
A big tech comentou o incentivo durante o lançamento do seu novo espaço para a criação de projetos de resiliência digital, que visa proteger dados de governos e empresas de ciberataques, desastres naturais ou mudanças regulatórias globais.
— A perspectiva de trazer mais competitividade para o país é muito positiva.
O Brasil tem capacidade para ter uma posição de liderança do ponto de vista de desenvolvimento de soluções e do ponto de vista da infraestrutura digital.
Então, essa busca por competitividade é sempre bastante positiva — disse ao GLOBO Elias Abdala, vice-presidente de relações governamentais e corporativas na Microsoft Brasil.
Líderes de tecnologia pressionam G20 por 'data centers', mas divergem sobre risco da IA
Senado aprova projeto que cria incentivos para instalação de data centers no Brasil
Em setembro de 2024, Satya Nadella, CEO da gigante, veio ao Brasil e garantiu um investimento de R$ 14,7 bilhões em três anos para expandir a infraestrutura de inteligência artificial e a computação em nuvem.
Abdala não revela quanto desse orçamento já foi executado, mas afirmou que a companhia deve revelar novidades em breve.
Em fevereiro, a Microsoft anunciou que dois data halls, prédios que compõem um data center, já estavam em funcionamento — atualmente, a companhia tem data centers em construção em Hortolândia e Sumaré, ambas na região de Campinas.
Pelo Redata, empresas do setor poderão contar com suspensão e posterior redução a alíquota zero de tributos como IPI, PIS/Pasep, Cofins e Imposto de Importação na aquisição e importação de equipamentos de tecnologia da informação e comunicação destinados à instalação ou ampliação de data centers, além de redução do imposto de importação quando não houver produção nacional equivalente.
O texto, no entanto, ganhou críticas pela inclusão do termo "baixa emissão" para permitir a contratação de gás natural pelos data centers e por reservar para o mercado nacional apenas 10% de processamento dos dados.
Resiliência digital
Nesta quinta, a companhia anunciou o Estúdio de Soberania e Resiliência Digital, espaço onde clientes, parceiros de hardware e a própria big tech poderão desenvolver projetos que possibilitam rodar serviços de nuvem de forma desconectada ou em infraestrutura própria, sem depender dos servidores da gigante.
A Microsoft apontou para desastres naturais, soberania de informações, ciberataques, exigências regulatórias, volatilidade geopolítica e até latência de projetos como razões para o desenvolvimento de projetos do tipo.
No ano passado, o governo de Donald Trump retaliou o Tribunal Penal Internacional (TPI), incluindo o procurador-chefe Karim Khan, por conta de investigações e mandados de prisão emitidos contra autoridades de Israel.
O caso levantou preocupações sobre a dependência de infraestruturas tecnológicas americanas e a redução da soberania digital.
A Microsoft foi acusada de bloquear e-mails dos membros do TPI, o que foi desmentido por Brad Smith, presidente da gigante.
Ao falar de casos do tipo, Abdalla afirmou que os contratos firmados pela Microsoft, incluindo com clientes de governo no Brasil, preveem que, na eventualidade de uma ordem de qualquer governo do mundo exigindo a suspensão de serviços ou a entrega de dados, a companhia tomará todas as providências cabíveis para contestar e reverter a ordem judicial.
— Tomamos todas as providências cabíveis para reverter essa essa ordem.
Isso mostra mais do que qualquer coisa o compromisso de proteger os interesses dos seus clientes — disse ele.
No novo espaço, primeiro do tipo na América do Sul, organizações públicas e privadas testam cenários reais de adversidade (mudanças regulatórias, desastres climáticos, ataques cibernéticos ou pressões geopolíticas).
A companhia afirma que atende a mais de 100 certificações mundiais (incluindo ISO 27017 e LGPD) e disponibiliza mais de 6 mil políticas granulares para gerenciar a governança.
O estúdio analisa cenários onde a resiliência física não está em manter os dados localmente, mas sim em tirar os dados do país de forma ágil para evitar a interrupção de serviços públicos vitais caso a infraestrutura local seja comprometida.
