Em uma declaração no Conselho das Américas, reunião de grupos de direita no continente, o presidente argentino, Javier Milei, culpou a lei do aborto do país por uma queda da natalidade.
'Essa paixão por matar crianças no útero também está nos custando caro em termos de crescimento, e nem vou mencionar o impacto no sistema previdenciário', declarou.
Meses antes, ele havia relacionado o fenômeno da queda nas taxas de natalidade, que na verdade é um problema global, à lei sobre interrupção voluntária da gravidez.
'Em termos de abortos, a Argentina fez uma grande confusão que causou essa queda na taxa de reprodução', argumentou ele em maio deste ano.
Apesar disso, não existe uma relação direta entre os dois.
A queda de natalidade é um fenômeno em grande parte dos países do mundo.
A lei do aborto está em vigor na Argentina desde 2021, mas a taxa de natalidade no país está caindo desde 2014, segundo o Ministério da Saúde.
Na Argentina, enquanto em 2001 a taxa média de natalidade era estimada em 2,1 filhos por mulher, no último censo, realizado em 2022, esse número era de 1,4 filhos.
Meses atrás, o Ministério da Saúde divulgou o relatório de estatísticas vitais com dados consolidados para o ciclo de 2024, ano em que foram registrados 413.135 nascimentos, representando uma queda de 47% em comparação com os níveis registrados em 2014, com 777 mil nascimentos.
Estudos recentes indicam que são diversas as causas, entre elas adiamento da idade da maternidade, a crescente participação das mulheres no mercado de trabalho, a mudança nas expectativas reprodutivas e a eficácia dos métodos contraceptivos são apontados como fatores decisivos.
O aborto não figura entre as principais causas nas pesquisas sobre o declínio das taxas de natalidade.
Um dos estudos mais recentes, realizado pela Universidade Austral, mostrou que apenas 46% dos argentinos consideram ter filhos muito importante, em comparação com 77% há dez anos.
