Militares dos EUA pedem ideias

Militares dos EUA pedem ideias 'criativas' às tropas para pressionar o Irã, diz TV

Fonte: Bandeira da fonte

Diante das dificuldades para forçar o Irã a aceitar um acordo e dos riscos de uma nova escalada da guerra, o comando militar dos Estados Unidos responsável pelas operações no Oriente Médio pediu a analistas que apresentassem ideias “criativas e não convencionais” para pressionar e punir Teerã, afirma a rede televisiva CNN.
Vizinho salva mulher mantida como escrava sexual após encontrá-la algemada em varanda na Alemanha
Carro invade jardim e atinge casa na Inglaterra; passageiro fica em estado crítico após acidente
Segundo a emissora americana, a solicitação foi enviada por e-mail na última quarta-feira por um oficial de alta patente da área de inteligência do Comando Central dos Estados Unidos, o Centcom.
A mensagem teria sido distribuída a um grupo amplo de analistas militares.
"Estamos buscando novas formas criativas e não convencionais de pressionar e punir o Irã ", dizia o texto, de acordo com uma fonte que teve acesso à comunicação.
Uma segunda pessoa a par do caso confirmou à CNN que um oficial de alta patente havia solicitado novas sugestões sobre como conduzir a campanha contra o país.
A consulta interna, comparada por autoridades a uma espécie de “crowdsourcing”, chamou atenção porque pedidos tão amplos e sensíveis não costumam ser feitos por e-mail.
A iniciativa também expõe o impasse enfrentado pelo presidente Donald Trump: ampliar a pressão militar pode provocar mais mortes e uma guerra prolongada, enquanto os ataques realizados até agora não foram suficientes para obrigar o governo iraniano a aceitar as condições americanas.
Procurado pela CNN, o porta-voz do Centcom, capitão Timothy Hawkins, não comentou diretamente o conteúdo do e-mail, mas afirmou que o comando possui “um longo histórico de pensar e trabalhar de maneiras inovadoras”.
Segundo Hawkins, o almirante Brad Cooper, responsável pelo Centcom, costuma buscar contribuições dos integrantes da organização, independentemente da patente, para melhorar o desempenho operacional.
Os Estados Unidos mantêm desde março a chamada Operação Epic Fury, apresentada pela Casa Branca como uma campanha para destruir a capacidade iraniana de produzir e lançar mísseis, enfraquecer suas forças navais, interromper o apoio a grupos aliados e impedir que o país desenvolva uma arma nuclear.
Trump chegou a avaliar novos ataques
O pedido por alternativas foi enviado antes de Trump ameaçar realizar uma nova rodada de ataques contra o Irã.
O presidente, no entanto, recuou durante o fim de semana após líderes da região, entre eles o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, pedirem uma redução das tensões, segundo a CNN.
Há semanas, forças americanas atacam instalações iranianas em uma campanha destinada a limitar a capacidade de Teerã de ameaçar embarcações no Estreito de Ormuz e pressionar o país a retomar as negociações.
O Centcom confirmou publicamente diferentes rodadas de ataques e operações contra alvos iranianos ao longo dos últimos meses.
A Casa Branca sustenta que a ofensiva tem como objetivos centrais reduzir a capacidade militar do Irã e impedir o avanço de seu programa nuclear.
Mesmo assim, autoridades de inteligência citadas pela CNN avaliam que os bombardeios realizados até agora dificilmente serão suficientes para modificar a posição iraniana nas negociações.
Entre os alvos estudados pelos planejadores militares estariam instalações subterrâneas que poderiam abrigar material ou equipamentos nucleares.
Uma delas seria a chamada Pickaxe Mountain, estrutura que, de acordo com fontes ouvidas pela emissora, estaria protegida a uma profundidade que reduziria a eficácia de bombas e mísseis convencionais.
Para destruir completamente instalações desse tipo, os Estados Unidos poderiam precisar enviar forças terrestres, uma alternativa considerada de alto risco político e militar.
Entrada de tropas seria opção mais arriscada
Trump já mencionou publicamente a possibilidade de ocupar pontos estratégicos, como a Ilha de Kharg, ou enviar militares para retirar urânio altamente enriquecido do território iraniano.
Uma operação terrestre, no entanto, entraria em choque com uma das principais promessas políticas do presidente: evitar o envio de americanos para “guerras estrangeiras” prolongadas.
Segundo a CNN, 18 militares dos Estados Unidos já morreram desde o início dos confrontos.
O principal conselheiro militar de Trump, general Dan Caine, também reconheceu diante de congressistas que ataques aéreos possuem limitações e dificilmente seriam suficientes para alcançar todos os objetivos anunciados pelo governo.
— O poder aéreo tem seus limites — afirmou o chefe do Estado-Maior Conjunto, de acordo com a emissora.
A administração Trump já afirmou oficialmente que pretende continuar a ofensiva até considerar atingidos seus objetivos militares.
Em abril, a Casa Branca anunciou que o país intensificaria os ataques durante as semanas seguintes, dentro da estratégia de pressão sobre o regime iraniano.
Risco de vítimas civis preocupa militares
Entre as opções analisadas pelo Centcom estaria uma campanha de bombardeios pesados com duração de uma ou duas semanas, direcionada principalmente às capacidades de lançamento e produção de mísseis iranianos.
Trump, porém, ainda não teria autorizado a operação.
Entre as preocupações apresentadas por seus assessores estão a quantidade limitada de interceptadores de defesa aérea disponíveis e o risco de retaliações iranianas contra bases, tropas e aliados americanos na região.
Integrantes do governo também manifestaram receio sobre o número de vítimas civis que poderia ser provocado por ataques contra pontes, instalações energéticas ou usinas de dessalinização de água.
Outra alternativa estudada seria repetir bombardeios contra instalações já atingidas anteriormente.
Segundo uma fonte citada pela CNN, seriam ataques semelhantes a uma exibição de “fogos de artifício”: permitiriam ao governo anunciar uma nova demonstração de força, mas provavelmente teriam pouco efeito sobre o programa nuclear iraniano ou sobre a disputa no Estreito de Ormuz
A Casa Branca sustenta que as operações americanas já causaram danos significativos às capacidades militares e nucleares iranianas.
Essa é, entretanto, a versão oficial do governo, e a efetividade de ataques contra instalações subterrâneas continua sendo objeto de avaliações militares e de inteligência.
Pressão por um acordo
Apesar da retórica militar, pessoas próximas às discussões afirmam que Trump ainda busca uma saída negociada.
— No fim das contas, o presidente vai querer um acordo.
Por isso, continuará procurando formas de endurecer sua posição e sair dessa situação — disse à CNN uma fonte a par do planejamento.
Sem uma mudança de posição de Teerã, os Estados Unidos correm o risco de permanecer presos em uma sequência de ataques e contra-ataques, com novas baixas militares e ameaças constantes à navegação no Estreito de Ormuz.
Ao ser questionado na sexta-feira sobre como pretendia encerrar a guerra, Trump voltou a apostar na pressão militar.
— Acho que só queremos vencer — afirmou o presidente durante uma reunião de gabinete.
— Vamos atacá-los com muita força e, em algum momento, eles vão dizer: “Simplesmente não aguentamos mais”.