O diretor financeiro da Minerva Foods, Edison Ticle, disse nesta quinta-feira (27/8) que após a queda recente dos preços do boi gordo no Brasil, os preços tendem a ficar “de lado” por um período, com o preenchimento da cota da China e a redução dos abates voltados ao país.
Mais para o fim do ano, no entanto, os preços do boi tendem a se recuperar, de acordo com o executivo, com o aumento da demanda da indústria brasileira no último trimestre, para voltar a produzir para a China, com vistas ao atendimento da cota de importação sem tarifa adicional de 2027.
Ticle também disse a analistas, em evento em Barretos (SP), que a empresa vem observando o consumo doméstico de carne bovina “menos aquecido”, em razão do endividamento das famílias brasileiras.
“Isso vem afetando todos os produtos, inclusive o setor de alimentos.
Mas todas as projeções da companhia já contemplam esse cenário e isso não deve afetar nosso planejamento deste ano”, afirmou Ticle.
Fechamento de capital
Ticle também disse que a possibilidade de fechamento de capital da companhia “não é uma discussão na empresa” e, se fosse, seria dos acionistas do bloco de controle da empresa.
Os principais acionistas da Minerva são a família Vilela de Queiroz e a gestora saudita Salic.
No começo de junho, a Minerva foi questionada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o assunto após alguns veículos de imprensa terem reportado que a empresa considerava aquela possibilidade.
“Teria de ser uma discussão dos acionistas do bloco de controle.
Essa discussão nunca chegou na empresa”, afirmou Ticle a jornalistas, durante coletiva realizada em Barretos (SP).
“Se os acionistas tiverem essa discussão, eles têm de notificar a companhia do que está ocorrendo.
Nada disso ocorreu”, continuou.
No fim de maio, quando as ações da empresa acumulavam queda de 28% no ano, veículos de imprensa incluindo O Globo noticiaram que a Minerva havia “voltado a avaliar internamente” o fechamento de seu capital na bolsa.
Segundo reportou O Globo, o desenho da operação previa que a família ficaria com mais de 54% e a Salic, o restante.
As duas possuem juntas mais de 53% do capital.
A CVM, então, solicitou à companhia explicações sobre as informações divulgadas na imprensa.
Em resposta, a Minerva divulgou comunicado no início de junho dizendo que “não houve” e não havia, naquele momento, “qualquer definição ou deliberação societária, seja pela companhia, seja pelos seus acionistas controladores, acerca de possível operação que poderia contemplar o fechamento de capital da companhia, e, por conseguinte, sobre sua estrutura, prazos ou quaisquer termos e condições relacionados à sua eventual realização”.
Alavancagem
Ticle comentou que a atual alavancagem da companhia, de 2,9 vezes - medida pela relação entre a dívida líquida e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado nos últimos 12 meses encerrados no segundo trimestre - não é o ideal e que o nível mais adequado seria ao redor de 1,7 vez.
“Numa conta de bolso, não podemos pagar além de 35% do Ebitda para pagar despesas financeiras.
Para trazer para esse nível, a alavancagem teria de ficar em torno de 1,7 vez”, disse Ticle a analistas.
Segundo o executivo, a diretoria executiva propôs ao conselho, considerando o atual cenário de taxas mais elevadas no Brasil, reduzir a distribuição de dividendos para o mínimo previsto em lei, 25% do lucro líquido, em comparação aos 50% que a empresa já pagou anteriormente.
A ideia é manter o pagamento de 25% até trazer para 35% o percentual do Ebitda usado para pagar despesas financeiras e, com isso, a alavancagem para 1,7 vez, conforme o executivo.
Ticle disse também que, com geração de Ebitda no segundo semestre, que tende a ser beneficiado pela realização de estoques formados especialmente na China, e outras medidas, a companhia tem condições de gerar mais de R$ 1 bilhão de caixa livre no consolidado de 2026.
No período de 12 meses encerrado no segundo trimestre de 2026, o fluxo de caixa livre da Minerva ficou em R$ 636 milhões.
*A jornalista viajou a convite da Minerva Foods
