Ministro da Defesa de Israel promete manter tropas na Síria em visita ao sul do país; Damasco condena

Ministro da Defesa de Israel promete manter tropas na Síria em visita ao sul do país; Damasco condena 'entrada ilegal'

Fonte: Bandeira da fonte

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta terça-feira que o país vai manter tropas na Síria enquanto avaliar haver ameaças de segurança na região, durante uma incomum viagem de uma autoridade do Estado judeu às tropas estacionadas no sul do país vizinho desde dezembro de 2024, após a queda do ditador Bashar al-Assad.
A declaração e a visita acontecem em um momento tenso entre os países, após um bombardeio israelense contra uma base aérea síria desativada — que abriu uma disputa também com a Turquia, acusada de planejar posicionar tropas na instalação.
Damasco criticou o posicionamento israelense.
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— Aqui há atividade diária para frustrar ameaças, eliminar os remanescentes do antigo regime, impedir a perigosa consolidação do novo regime — declarou Katz em um comunicado em vídeo divulgado por seu gabinete.
— A mensagem também é clara para o presidente da Síria: quando você acordar de manhã em seu palácio em Damasco, olhe para o Monte Hermon e, quando vir as FDI [as Forças Armadas de Israel], já saberá que estamos aqui para proteger nossas comunidades e nossa fronteira.

A mensagem do ministro israelense foi condenada por autoridades diplomáticas sírias.
Por meio de um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do país classificou a entrada de Katz no sul do país como uma "entrada ilegal", apontando que o cruzamento da fronteira se trata de uma "violação flagrante da soberania e da integridade territorial do país".
A diplomacia síria ainda direcionou um apelo à comunidade internacional, pedindo que fossem adotadas "as medidas necessárias para forçar as autoridades da ocupação a suspenderem as repetidas violações".
As forças israelenses estabeleceram o que o governo de país caracteriza como uma "zona de segurança" no sul do país desde a queda de Assad, quando a ascensão de uma coalizão de grupos de inspiração islâmica, incluindo com histórico jihadista, tomaram o poder.
As tropas se deslocaram ao que antes era uma zona de separação patrulhada pelas Nações Unidas, que mantinha afastadas as forças dos dois países nas Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde 1974.
Desde então, Israel realizou centenas de ataques ao território sírio, sob diferentes alegações.
Em certo período, a justificativa israelense foi uma onda de violência a comunidades druzas no país — minoria étnica que também vive em parte do território norte do Estado judeu.
O ataque mais recente, porém, envolveu preocupações com um dos atores mais relevantes militarmente para a Otan.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou publicamente que os militares advertiram com clareza a Turquia sobre o envio de tropas à Síria, em um aparente reconhecimento do ataque à base de Abu Duhur, no noroeste do país.
Ancara rejeitou a narrativa israelense sobre planos militares no território sírio, enquanto aliados de Israel, incluindo os EUA, condenaram o ataque — que não foi diretamente reivindicado.
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Analistas e opositores afirmaram que a insinuação de embate com a Turquia em território sírio estaria ligada a interesses eleitorais do grupo político de Netanyahu, que busca na pauta da segurança pública e da defesa nacional mobilizar apoio nacional.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, tem muitos críticos em Israel, e manteve contato com atores vistos como inimigos pelo Estado judeu, como líderes do movimento palestino Hamas.
Na semana passada, o ministro da Justiça turco, Akin Gurlek, anunciou que a Turquia busca emitir um mandado de prisão internacional com a Interpol contra Netanyahu e outro cidadão israelense como parte de uma investigação sobre a detenção de ativistas que viajavam na "Flotilha de Gaza".
O gabinete do premier israelense respondeu chamando Erdogan de "ditador antissemita", e prometeu que Israel continuaria "a agir com firmeza contra as tentativas da Turquia de desestabilizar a região".
Em meio ao "fogo-cruzado" entre duas potências militares regionais, o governo sírio buscou formas de se preservar da disputa.
Autoridades de Damasco confirmaram no fim de semana que uma delegação diplomática do país se reuniu com representantes israelenses na Jordânia, em um encontro mediado pelos EUA, a fim de evitar um confronto.
Uma fonte diplomática ouvida pela agência de notícias francesa AFP durante o fim de semana afirmou que o ministro das Relações Exteriores do país, Assad al-Shaibani, liderou a delegação de Damasco, ao passo que o chefe do serviço de inteligência e espionagem de Israel (Mossad), Roman Gofman, estava entre os enviados israelenses.
Os diálogos, segundo o lado sírio, visou, afastar as tensões atuais entre Ancara e Israel, e que elas "não se reflitam em território sírio".
(Com AFP e Bloomberg)