Ao comentar os dados de julho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o ministro do Trabalho e Emprego em exercício, Chico Macena, afirmou que o varejo “vem sucessivamente perdendo postos de trabalho”.
Ainda assim, descartou a existência de uma crise estrutural no setor.
Dos cinco grandes setores da economia, quatro registraram saldo positivo de empregos formais em julho.
O comércio foi a exceção, com fechamento líquido de 2.056 vagas.
No acumulado do ano, o setor registra perda de 7.896 postos.
Na avaliação de Macena, o resultado representa um “reposicionamento momentâneo” pelo qual o varejo terá que passar.
“Não acredito que isso seja uma crise mais estrutural”, afirmou.
Nos últimos meses, uma série de empresas do setor entrou com pedido de recuperação judicial.
O caso mais recente é o da Casas Bahia.
Como mostrou o Valor, 6.341 empresas estavam em recuperação judicial no país ao fim do primeiro semestre, segundo levantamento do Monitor RGF-BIZDOC.
O número é recorde e representa crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
Durante coletiva de imprensa, Macena atribuiu a perda de postos no varejo a uma combinação de fatores, entre eles a taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano.
Segundo ele, o custo elevado do crédito afeta o poder de compra das famílias e os investimentos das empresas.
Ele também citou a mudança no perfil de atuação das empresas, que passaram a direcionar parte maior dos negócios para o e-commerce.
“A taxa de juros é um fator que tem afetado objetivamente os postos de trabalho no comércio, isso inibe dois movimentos: o crédito, a compra do ponto de vista do consumidor, e também o impacto nos investimentos feitos, muitas vezes, para ampliação de postos de lojas e ampliação das atividades econômicas”, declarou.
Ministro do Trabalho e Emprego em exercício, Chico Macena
Marcelo Camargo/Agência Brasil
