Leonardo Akira passa boa parte do tempo cultivando fungos, observando fermentações e esperando microrganismos fazerem seu trabalho.
Aos 27 anos, o padeiro paulistano parece mais um alquimista.
Autodidata, com passagens pelo D.O.M.
e pela padaria-escola Quintal da Aurélia, onde se envolveu com a microbiologia aplicada à panificação, construiu a Mirá em torno de um elemento ainda raro nas padarias brasileiras: o koji, fungo usado na produção de saquê, missô e shoyu.
Sua primeira incursão própria, desde então ao lado da mulher, Júlia Fraga, nasceu em Atibaia.
Na área de cerca de 15 metros atrás de uma portinha, equipada com máquinas emprestadas, os dois cuidavam de tudo — e ainda encontraram tempo para se casar ali mesmo.
A temporada funcionou como laboratório até a mudança para Pinheiros, onde a Mirá mantém a filosofia de respeitar o tempo dos ingredientes e deixar que a fermentação dite o ritmo da produção.
Akira desenvolveu uma fermentação a partir do koji japonês, capaz de produzir pães de casca mais delicada, miolo macio e maior durabilidade, além de abrir caminho para a viennoiserie.
O croissant é o melhor exemplo: ultracrocante e com aroma intenso de manteiga (R$ 16).
Pão de leite japonês, o shokupan serve de base para a honey butter toast, embebida em manteiga, mel, açúcar e missô produzido na casa (R$ 25) — um acontecimento.
A salada de ovo enriquece um belo sanduíche com maionese artesanal, ovo marinado em dashi e alga nori em pó, o tamago sando (R$ 44).
O endereço de ar oriental e delicado é orquestrado pela mineira Júlia, mestre em Literatura e especializada em Shakespeare.
Mirá Padaria Autoral: Rua Francisco Leitão 265, Pinheiros.
Seg a qua, das 9h às 17h.
Qui a sáb, das 9h às 17h e das 18h às 21h; Dom, das 9h às 16h.
Mirá: eleito pelo SP Gastronomia 2026 o endereço dos melhores pães da cidade
Fonte:
