Quatro em cada cinco hospitais do NHS, o sistema público de saúde do Reino Unido, ainda utilizam prontuários em papel, apesar de quase três décadas de iniciativas para digitalizar o atendimento.
A constatação é de uma investigação do British Medical Journal (BMJ), que evidencia a lentidão da modernização tecnológica do serviço britânico, em contraste com países como o Brasil, onde receitas, exames e históricos médicos são cada vez mais acessados por aplicativos, e-mails e plataformas digitais.
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A pesquisa, realizada nos últimos meses com 184 serviços de saúde da Inglaterra, mostrou que 79% das unidades ainda recorrem ao papel em alguma etapa do atendimento, enquanto três em cada quatro continuam emitindo receitas médicas manualmente.
Segundo o BMJ, o processo de transformação digital do NHS teve início em 1998, mas alguns hospitais admitiram que a migração dos registros físicos para sistemas informatizados se arrasta há mais de 20 anos.
Modernização lenta e custos elevados
Médicos ouvidos pela investigação afirmam que a dependência do papel aumenta o risco de perda de informações e de erros clínicos.
A médica residente Izzie Jordan-Evans, de Sussex, afirmou que o modelo está defasado diante da realidade da medicina atual.
— Trabalhar dessa forma em 2026 parece estar em desacordo com o ritmo da medicina moderna.
O tempo perdido localizando anotações, vasculhando páginas de texto e decifrando caligrafia é ineficiente e pode levar a erros clínicos.
Por outro lado, profissionais também relatam dificuldades com a infraestrutura digital existente.
A médica Derya Nurlu, de Essex, afirmou que a variedade de sistemas eletrônicos adotados pelos hospitais dificulta a rotina.
— Levava seis meses para eu dominar completamente o sistema eletrônico que usava cada vez.
A lentidão da digitalização também tem impacto financeiro.
Um relatório divulgado nesta semana pelo King's Fund estima que o NHS desembolsa mais de 240 milhões de libras, cerca de R$ 1,7 milhões, por ano apenas para armazenar prontuários físicos em caixas e arquivos.
Ao The Times, a diretora da instituição, Sarah Woolnough, classificou a situação como um desperdício de recursos.
— Este é um exemplo flagrante de dinheiro sendo gasto onde não é necessário.
Em alguns aspectos, o NHS parece bastante antiquado e em desacordo com a forma como interagimos com os serviços em tantas outras áreas de nossas vidas.
As dificuldades tecnológicas do sistema britânico já haviam chamado atenção anteriormente.
Em 2023, o jornal The Sun revelou que hospitais do NHS ainda utilizavam mais de 600 aparelhos de fax.
No ano passado, o Partido Trabalhista classificou o serviço de saúde como "tecnologicamente atrasado" e defendeu que o sistema precisava "se reformar ou morrer".
Em resposta, um porta-voz do NHS England afirmou que a substituição de sistemas em papel por soluções digitais em hospitais de grande porte é um processo complexo e que as unidades se encontram em diferentes estágios dessa transição.
'À moda antiga': 4 em cada 5 hospitais públicos do Reino Unido ainda usam prontuários de papel, com gasto anual de R$ 1,7 milhão para armazenamento
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