Um grupo que representa as principais montadoras nos Estados Unidos pediu ao Congresso do país, nesta quinta-feira (3), que aprove uma legislação impedindo a entrada de veículos chineses no mercado americano ainda em 2026.
A “Aliança para Inovação Automotiva”, que representa General Motors, Ford, Toyota, Volkswagen, Hyundai, Honda, Stellantis e outras grandes montadoras, pediu uma ação rápida do governo.
“Neste momento, as montadoras chinesas estão despejando veículos subsidiados com software e hardware conectados em todo o mundo”, escreveu John Bozzella, CEO da aliança, em uma carta aos parlamentares obtida pela Reuters.
“Isso ainda não aconteceu dentro dos Estados Unidos, mas, dada a escala e a urgência dessa ameaça, pedimos que vocês aprovem uma proibição de veículos, software e hardware chineses antes do encerramento da sessão legislativa deste ano e transformem essa política em lei”, acrescentou.
Em julho, o Comitê de Comércio do Senado americano aprovou uma legislação para endurecer a proibição do governo à entrada de montadoras chinesas no país, mas a proposta ainda enfrenta obstáculos para obter aprovação final.
Bozzella afirmou que a aprovação do projeto de lei “enviará uma mensagem clara e bipartidária de que a estratégia da China para dominar a manufatura automotiva global será enfrentada com uma resposta de segurança nacional por parte do governo americano”.
A embaixada chinesa, que não comentou imediatamente o assunto, se opõe aos esforços dos Estados Unidos para proibir as exportações de veículos da China.
Em julho, a aliança pediu ao comitê que considerasse incluir na legislação uma proibição explícita ao Departamento de Comércio de conceder autorizações específicas a montadoras chinesas, como BYD, Chery, Saic Motor e outras subsidiadas pelo Partido Comunista Chinês para fabricar, vender ou importar veículos conectados para os Estados Unidos, segundo uma carta, que não havia sido divulgada.
O senador republicano Bernie Moreno, de Ohio, e a senadora democrata Elissa Slotkin, de Michigan, propuseram uma legislação para transformar em lei uma regulamentação imposta pelo governo Biden que, na prática, proíbe todas as montadoras chinesas de vender ou fabricar veículos de passeio nos Estados Unidos, além de adotar outras medidas para impedir a entrada da China no mercado americano de veículos leves.
Ted Cruz, presidente do Comitê de Comércio do Senado, afirmou que uma disposição do projeto que proibiria empresas com mais de 15% de participação de entidades chinesas impediria a Mercedes-Benz de vender veículos nos Estados Unidos, devido à sua participação passiva chinesa de quase 20%.
Cruz disse, ainda, que o projeto precisa de mudanças antes de poder se tornar lei.
Em junho, a Polestar informou que o governo Trump estava forçando a fabricante de veículos elétricos a interromper as vendas de veículos nos Estados Unidos a partir do ano-modelo 2027.
A empresa, sediada na Suécia, tem como acionista controlador a chinesa Geely Holding.
As tecnologias de Bluetooth, Wi-Fi, conectividade celular e determinadas comunicações via satélite estão abrangidas pelas regras, devido a preocupações de segurança nacional relacionadas à capacidade dos veículos de coletar dados sensíveis de proprietários americanos.
Ford
Bloomberg
