Moradores relatam tiroteio no Complexo da Penha com uso de drones para lançar explosivos e balas traçantes - QTU Questões do Universo

Moradores relatam tiroteio no Complexo da Penha com uso de drones para lançar explosivos e balas traçantes

Fonte: Bandeira da fonte

Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, relataram um intenso tiroteio na região, entre a noite de segunda-feira e a madrugada desta terça-feira, com o uso de balas traçantes.
De acordo com quem mora no local, um forte estouro foi ouvido por volta de meia-noite e meia, na localidade da Chatuba, e foi causado pela explosão de um artefato lançado por um drone, que teria atingido uma piscina no quintal de uma casa.
Há relatos de explosão também no Morro do Sereno.
Luto: Morre Ricardo Fernandes, diretor de escolas de samba do carnaval carioca
Veja o que muda: Tolerância Zero avança para ruas internas de Copacabana, Ipanema e Leblon
A Polícia Militar informou que equipes Unidade de Polícia de Proximidade (UPP) do Complexo da Penha, após monitoramento da região, identificaram que drones teriam lançado artefatos explosivos nas proximidades do Morro do Sereno.
Segundo a corporação, os tiros disparados na comunidade foram em direção à Cidade Alta.
O policiamento foi intensificado na região, afirmou a PM.

Um levantamento feito pelo GLOBO mostra que desde março deste ano, foram pelo menos sete casos de explosão de artefatos lançados por drones, seja em treinamentos de criminosos, seja em ataques.
A maioria ocorreu nos últimos três meses, período em que as disputas territoriais se intensificaram.
O episódio mais recente aconteceu no último sábado, quando duas pessoas que montavam brinquedos em uma festa infantil de rua ficaram feridas após uma bomba ser lançada por um equipamento desse tipo na Favela dos Dourados, em Cordovil, na Zona Norte.
Localizada em casa de luxo: Influenciadora Nick Frazão é presa suspeita de realizar roubo e espancar vítima
A comunidade, que tem a maior parte de seu território controlada pelo Comando Vermelho (CV), vem sendo alvo de ataques feitos por traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) ligados a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão.
O criminoso, um dos chefes da facção, domina favelas vizinhas — Parada de Lucas, Cidade Alta, Vigário Geral, Pica-Pau e Cinco Bocas —, região apelidada por ele de Complexo de Israel.
Guerra no céu: Explosivos lançados por drones já feriram moradores em ataques no Rio
Vento adia ‘Aulão’
Antes do ataque à Favela dos Dourados, na madrugada do dia 31, uma granada explodiu e atingiu um imóvel no Complexo da Penha durante um suposto treinamento para o uso de drones em guerras ou no monitoramento de rivais e da polícia.
O conjunto de favelas tem o tráfico de drogas comandado por Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso.
Segundo a polícia, ele é suspeito de integrar a cúpula do CV e de ordenar ataques a territórios controlados por outras facções.
A polícia investiga a informação de que um “aulão” para ensinar como usar esses equipamentos chegou a ser marcado no Complexo da Penha.
O evento foi anunciado em uma postagem feita nas redes sociais por uma pessoa ligada a um traficante da região.
Imagens recebidas pela Polícia Civil mostram homens armados com fuzis caminhando em direção ao suposto local de treinamento.
À frente deles, uma mulher, que carregava uma criança, abria caminho para a passagem dos suspeitos.
Em outra imagem, oito fuzis podem ser vistos encostados em uma parede.
A aula para operar os drones, marcada para 17 de julho, no entanto, acabou não ocorrendo.
O cancelamento teria ocorrido devido às condições meteorológicas desfavoráveis: ventos fortes.
Jaé gratuidade: Prefeitura aumenta tempo de bloqueio para quem emprestar cartão a outras pessoas
Um policial que investiga o tráfico no Complexo da Penha revelou que os bandidos, além de utilizarem drones para lançar granadas, também têm veículos não tripulados capazes de localizar outras aeronaves do mesmo tipo.
— Eles usam os drones para fazer monitoramento.
O equipamento funciona como se fosse um radar.
Ele é capaz de informar se há outro drone na área e de onde a aeronave está sendo operada — explicou o investigador.
Na Zona Sul do Rio: Mulher morre atropelada por um ônibus no Humaitá
Feridos
Os feridos na explosão ocorrida na Favela dos Dourados não são as únicas vítimas do perigo que vem do céu.
No dia 29 de maio, um adolescente de 15 anos sofreu uma fratura exposta em uma das pernas.
Ele estava no Morro da Caixa D’Água, na Penha, quando um drone teria lançado uma granada no local.
Quase dois meses antes, no dia 30 de março, outro explosivo atingiu um imóvel na Vila do Sapê, em Curicica, na Zona Sudoeste.
O caso aconteceu durante um ataque de traficantes do CV a uma área com territórios dominados pela milícia.
Os outros casos ocorreram em junho e julho.
Os que mais chamaram a atenção foram o de um prédio atingido por um artefato no Parque Dois Irmãos, em Curicica, e o de uma granada encontrada sobre uma creche na Favela do Dique, no Jardim América, na Zona Norte.
Neste último episódio, o explosivo foi encontrado intacto e precisou ser detonado por policiais do Esquadrão Antibombas.