Moraes mantém prisão de desembargador acusado de ajudar Bacellar a repassar informações ao CV - QTU Questões do Universo

Moraes mantém prisão de desembargador acusado de ajudar Bacellar a repassar informações ao CV

Fonte: Bandeira da fonte

Macário Judice Neto ao ser preso em dezembro de 2015
Anna Bustamante/Agência O Globo
O desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), teve a prisão preventiva prorrogada por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Preso desde setembro, o desembargador é acusado de ter vazado informações sigilosas da Polícia Federal para aliados do Comando Vermelho no âmbito da Operação Zargun, na qual ele era relator.

De acordo com as investigações, Júdice Neto teria avisado a Rodrigo Bacellar (União), então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que Thiego Santos, o TH Joias, seria preso em dezembro.
Joias era deputado estadual na época e réu em dois inquéritos de envolvimento com o CV.
Ele responde por organização criminosa, obstrução de justiça, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e comércio ilegal de armas.

Bacellar e Joias também estão presos e perderam os mandatos.
Assim como Júdice Neto, eles são alvos na investigação que apura a atuação de grupos criminosos violentos no Rio e suas possíveis conexões com agentes públicos.
Moraes é o relator do inquérito, que é decorrente da ADFP 635, conhecida como ADPF das Favelas.

A Operação Zargun investigava o esquema de corrupção envolvendo lideranças da facção criminosa, uma das maiores do país, com agentes públicos.
Desde que foi preso, Júdice Neto foi afastado de suas funções, e o inquérito foi desmembrado dentro do TRF-2.

A defesa do desembargador havia pedido o fim da prisão preventiva dele, alegando que a investigação que o prendeu já tinha sido encerrada e, com Júdice Neto fora do tribunal, ele não apresentaria riscos ao processo.
Contudo, Moraes entendeu que há indícios robustos de que o magistrado atuou na promoção na promoção do Comando Vermelho e obstruiu da justiça.

Segundo o ministro, a situação que levou à prisão do desembargador permanece igual, inclusive com risco de fuga e de reiteração delitiva.
“A prisão preventiva do réu continua adequada, necessária e proporcional às circunstâncias do caso concreto”, concluiu Moraes.