Empresas de meteorologia estão começando a trocar os tradicionais balões por drones para estudar a faixa mais baixa da atmosfera — que vai do solo até poucos milhares de metros de altura —, onde se formam a maior parte dos fenômenos climáticos.
A informação é do jornal britânico The Guardian.
Essa camada é difícil de monitorar, pois estações meteorológicas de solo captam dados de altitudes baixas demais, enquanto aviões são caros para esse tipo de missão.
Por isso, balões com sensores acoplados seguem sendo lançados aos milhares todos os dias mundo afora desde a década de 1930.
Balão meteorológico
Getty Images
O problema é que eles ficam vulneráveis ao vento, já que não é possível controlar sua rota.
Além disso, o equipamento depende de gás hélio para voar, um recurso que está cada vez mais escasso.
Base que opera sozinha
A Meteomatics, sediada em St.
Gallen, na Suíça, oferece uma alternativa batizada de Meteobase: uma estação terrestre que lança e recolhe o drone automaticamente, sem necessidade de um piloto no local.
O aparelho realiza um voo pré-programado, coletando dados em diferentes altitudes, e depois retorna à base para recarregar a bateria e transferir as informações, que são então enviadas a pesquisadores e serviços meteorológicos.
Meteobase, da Meteomatics
Divulgação/Meteomatics
A estrutura é resistente a condições severas de clima e mantém o drone em temperatura estável enquanto ele aguarda a próxima decolagem.
A Meteobase pode realizar uma missão de coleta por dia ou, se necessário, disparar voos sucessivos para acompanhar situações que mudam rápido, como neblina, formação de gelo ou a chegada de uma frente fria.
Para efeitos de comparação: um balão meteorológico comum pode ser levado pelo vento a até 250 km do ponto de lançamento, o que impede medições em um local específico ou ao longo de uma coluna vertical bem definida.
Já satélites, embora úteis para observar vapor d'água e formação de nuvens, não conseguem medir temperatura, umidade ou vento com a precisão necessária.
O drone busca cobrir justamente essa lacuna.
Como funciona o equipamento
O modelo usado pela empresa, o MM-670, tem seis motores, funciona com bateria e atinge até 6 mil metros de altitude, com autonomia de voo de aproximadamente 22 minutos por missão e resistência a ventos de até 90 km/h.
Ele pesa 5 kg, tem 70 cm de diâmetro, conta com sistema de paraquedas de emergência e é equipado com um mecanismo de degelo que permite operar mesmo em nuvens e em temperaturas negativas extremas.
Os dados recolhidos alimentam modelos de previsão como o EURO1k, desenvolvido pela própria Meteomatics, e ajudam a refinar previsões num raio de até 50 km a partir do ponto de decolagem.
O uso desses drones já passou da fase de teste em alguns países.
Nos Estados Unidos, a agência meteorológica NOAA os emprega para melhorar a previsão de tornados na Dakota do Norte.
Já na Noruega, está prevista a instalação de 30 unidades para reforçar o monitoramento climático do país, e a Irlanda avalia usar o sistema como complemento das radiossondas tradicionais.
*Com supervisão de Daniel Pinheiro
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